Museu da Segunda Guerra Mundial em Moscou

Quando falei pra um amigo que adora equipamentos militares que iríamos pra Rússia, ele disse logo: “A Rússia é potência militar, devem ter ótimos museus militares lá!”. É mesmo né, não tinha pensado nisso. Como o meu Guia Frommer’s não trazia nenhum museu militar na lista de atrações de Moscou e o Gui sempre gosta deste tipo de passeio, fui pesquisar na internet e vi que havia vários. O Museu Central das Forças Armadas me pareceu interessante, mas como o site em inglês era bem tosco, fiquei com receio que as explicações no interior do museu em inglês também fossem. Tem também o Museu Memorial do Cosmonauta, que conta a história da exploração espacial russa e parece ser bem interessante. Mas como tínhamos ido ao Museu Aeroespacial Americano há pouco tempo, achamos que ficaríamos decepcionados com o museu russo. Leia aqui o post sobre o Museu Americano e veja se não tenho razão. 🙂

Escolhi então o Parque da Vitória, onde visitamos o Museu da Grande Guerra Patriótica, que é como eles chamam a Segunda Guerra Mundial. Apesar do site também ser tosco, fiquei com vontade de ver os dioramas, além do parque.

Chegando na estação de metrô Park Pobedy o tema II Guerra já toma conta. No meio da avenida que separa o metrô do parque há também o Arco do Triunfo russo, em homenagem à vitória das tropas russas sobre Napoleão Bonaparte, na famosa Batalha de Borodino, em 1812. Irônico construir uma cópia do Arco do Triunfo de Paris para comemorar uma vitória sobre os franceses, não?

 

Mural sobre a vitória na II Guerra na estação de metrô Park Pobedy, e o Arco do Triunfo russo.


Na entrada do Parque há um longo caminho até o museu, com pedras que marcam cada um dos anos da II Guerra. Há fontes nas laterais, mas elas ficam desligadas até maio por causa do frio. Do lado esquerdo fica a Igreja de São Jorge, mais uma linda igreja ortodoxa. O Gui se empolgou com os reflexos e deu uma de maluco da pocinha.

 

Uma das placas com os anos da II Guerra com o Museu ao fundo; a Igreja de São Jorge e seu reflexo.


Chegando perto do obelisco, pudemos ver seus entalhes representando as batalhas e, lá no topo, a Deusa da Vitória. É bem impressionante, já que o obelisco tem cerca de 140 metros de altura e é todo detalhado. Na sua frente há uma estátua de São Jorge matando um dragão que representa o nazismo.

Obelisco e a estátua de São Jorge


O museu é dividido em duas partes: a primeira parte fica no prédio atrás do obelisco, e a segunda, com os armamentos, ao ar livre, do lado esquerdo do parque. Começamos pelo prédio, onde a simpática senhora com a colinha em inglês nos mostrou o caminho (contei esta história neste post).

Começamos pelo belo Hall da Tristeza, em homenagem aos 26 milhões de russos que morreram durante a guerra (apenas para comparação, foram 6 milhões de judeus). As 26 mil lágrimas de cristal simbolizam as lágrimas das mães que choraram por seus filhos mortos. Há também o Hall da Fama, uma sala circular com o nome dos heróis da guerra (inclusive civis). A abóbada e a estátua do centro da sala impressionam pela grandiosidade.

Hall da Tristeza e Hall da Fama. 


A principal atração do museu são os dioramas de guerra: cenários que misturam imagens e objetos e reproduzem as batalhas, mesma técnica utilizada nos museus de história natural. Repare nas fotos abaixo: os fundos são imagens, mas as grades e o canhão da segunda foto são reais, criando o efeito tridimensional. Em uma das salas entramos com um grupo de crianças de uma escola que estava visitando o museu, e as monitoras fecharam a porta, apagaram as luzes e os sons da batalha também foram reproduzidos. O Gui achou meio bobo, mas eu achei legal. 🙂

Em todas as salas há lugares para homenagens aos mortos, onde sempre havia flores em número par. Para eles, quantidade par é para os mortos, e ímpar para os vivos. Ficamos reparando no metrô, e víamos muitas pessoas carregando flores, mas sempre em quantidades ímpares. Nada de uma dúzia de rosas vermelhas na Rússia!

 

Os dioramas com as batalhas, e duas flores em homenagem aos mortos. 


No restante do museu há objetos, fotos, documentos e pôsteres relativos à guerra, como a mesa onde Stalin traçava as estratégias. Esta parte do museu não é tão legal porque há poucas explicações em inglês. Em cada ambiente há um cartaz em inglês com a explicação, mas não na identificação de cada item, o que me deixou um pouco perdida. Como não há um grande fluxo de visitantes estrangeiros nos museus históricos russos, eles parecem não se preocupar muito.

Tivemos o mesmo problema no Museu do Cerco de Leningrado, em São Petersburgo, e só não fiquei tão perdida porque tinha lido antes o post da Lu sobre ele, que fala russo. O museu do Cerco conta a história do terrível bloqueio à cidade de Leningrado (hoje São Petersburgo) durante a II Guerra imposto pelos nazistas. A cidade ficou 882 dias sendo impedida de receber suprimentos, e os bombardeiros, a fome  e o frio mataram cerca de 1 milhão de pessoas, metade da população da cidade na época.

No museu de Moscou também há algumas informações sobre o Cerco.

Fotos e documentos históricos


Saindo do prédio, seguimos para a exposição dos armamentos de guerra. Apesar das placas indicarem que a entrada para a exposição é atrás do prédio, na verdade é ao lado, então ficamos perdidos um bom tempo procurando por onde entrar.

A exposição é gigante, e bem interessante. Logo na entrada tem a área de combates terrestres, com tanques, artilharia anti aérea, ferrovias e até uma trincheira em tamanho real, pra você conhecer o ambiente minúsculo dos soldados. Nas fotos abaixo: um tanque entrincheirado e os escudos utilizados pelos soldados nas trincheiras; tanques alemães e soviéticos.

 

Um tanque entrincheirado e os escudos utilizados pelos soldados nas trincheiras; tanques alemães; tanques soviéticos (é, ainda tinha neve!)


A seção de ferrovias foi a que achamos mais interessante, porque nunca tínhamos visto em outros museus. Além de uma locomotiva e seus vagões (incluindo um vagão hospital), havia o resto de uma ponte bombardeada durante o conflito; um destruidor de trilhos usado pelos alemães; e um canhão gigantesco sobre trilhos (olha o Gui perto do negócio na última foto, ele é do tamanho das rodas).

 

Resto de uma ponte bombardeada durante o conflito; Destruidor de trilhos usado pelos alemães; Canhão gigantesco sobre trilhos (procure o Gui).


No pavilhão das aeronaves havia helicópteros e aviões soviéticos, americanos e alemães. As japonesas ficavam em outra seção específica.

 

No fim, havia a seção marítima, que estava um pouco sem graça porque os tanques estavam secos para manutenção, e não havia embarcações muito grandes como o porta aviões do Intrepid de NYC, mais moderno. Mas deu pra ver alguns navios, um lança torpedos e um carro anfíbio (que na verdade fica no pavilhão).

 

Navio de guerra, lança torpedos e carro anfíbio.


Foi uma visita muito cansativa porque o Parque é imenso, mas valeu a pena pelas informações e pela beleza do parque na luz do fim da tarde.

Veja tudo sobre a Rússia no Colecionando Ímãs em: Rússia – Índice de Posts

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4 comentários sobre “Museu da Segunda Guerra Mundial em Moscou

  1. Gustavo Belli

    Muito bom este museu, indispensáveis num tour por Moscou.
    Esta mania da poças são perigosas.
    No dia que estive no museu estava uns -10ºC embaixo de muita neve e não deu para visitar a parte externa, motivo para voltar 🙂

    @GusBelli

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