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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Patagônia 7/11: Big Ice sobre o Glaciar Perito Moreno


A empresa Hielo y Aventura tem o monopólio dos trekkings sobre o glaciar. Oferece dois tipos de trekking sobre o Glaciar Perito Moreno: o mini trekking e o big ice. Todos os dois são passeios que duram o dia todo, a diferença é a distribuição do tempo entre as passarelas e a caminhada sobre o gelo: enquanto o mini trekking é uma hora de caminhada no gelo e mais tempo nas passarelas, o big ice são 3h30 no gelo e menos nas passarelas.

Ah! Também tem uma restrição de idade. No Big Ice podem fazer pessoas de 18 a 50 anos, enquanto o mini trekking, de 10 a 65 anos.

O Gui empolgou total com esse Big Ice, eu lá morrendo de medo de não dar conta. 3h30 de caminhada no gelo é muita coisa! Além do mais eu tava nervosa em relação à segurança, porque dá pra ver as fendas no gelo. E se alguém cair lá dentro? Topei, mas fui aflita.

Foram nos buscar no hotel umas 7h da manhã, ainda estava escuro. Em um ponto da cidade, todas as vans se encontraram e mudamos para o ônibus da Hielo y Aventura com os outros corajosos do Big Ice, que nos levou até o parque. Dentro deste ônibus já havia um guia dando informações sobre o parque e sobre o trekking.

O passeio começa nas passarelas, com aquela vista estupenda do Glaciar. Ficamos mais ou menos uma hora lá, o que é muito pouco pra tanta passarela! O guia nos sugeriu ir conhecer a face norte do glaciar, pois conheceríamos a face sul no barco a caminho do trekking. E só deu tempo pra ir pro lado norte mesmo. Mas, já vimos um rompimento!


  
Glaciar Perito Moreno visto das passarelas, com um rompimento ! (clique para ampliar)


Glaciar Perito Moreno visto das passarelas.

Passamos na lanchonete pra comer um alfajor antes do trekking. Não tem almoço incluído, tem que levar lanche. Mas dá pra comprar nessa lanchonete, que é bem boa. Água precisa levar só pras primeiras horas do passeio, depois dá pra recarregar as garrafinhas nas águas derretidas do glaciar. Delícia!

Após as passarelas, o ônibus nos levou até o porto, onde pegamos o barco para o ponto de início do trekking. O passeio é lindo, com a vista para a face sul. Demos sorte, o tempo abriu e fez um sol que deixou as paisagens ainda mais espetaculares.

Face Sul do Glaciar Perito Moreno, visto do catamarã.

Depois de uns 15 minutos, chegamos ao porto, onde os guias de montanha já estavam nos esperando. Seguimos todos para o refúgio da Hielo y Aventura, onde nos deram algumas instruções:
- Leve suas coisas em mochilas, para que você esteja com as mãos livres caso escorregue;
- Use luvas, para não machucar as mãos caso escorregue;
- Use óculos escuros (básico).
Eles têm mochilas e luvas para emprestar se precisar. Eu fui com aquelas luvas de lã simples mesmo, o ruim foi que elas se molharam durante o trekking, quando passamos em um túnel de gelo. Mas qualquer uma serve, é só pra não ir com a mão direto no gelo se escorregar.
Eles também dão a dica de tirar roupa que tenha trazido em excesso, porque senão vai acabar passando calor no trekking. Dá pra deixar no refúgio se quiser.

  
Os guias de montanha nos esperando no porto, e a bela vista do refúgio da Hielo y Aventura (clique nas fotos para ampliar)

Depois das instruções, saímos com os guias. Primeiro, chegamos pertinho da face sul pra admirar os paredões. É uma coisa fenomenal. Desta vez presenciamos outro rompimento, ainda mais impressionante!

Face Sul do Glaciar Perito Moreno. Absolutamente impressionante! 

Agora começa o trekking propriamente dito. No mini trekking, o início da caminhada no gelo é bem pertinho do porto. Já no Big Ice... a gente anda... anda... sobe morro... desce morro... e depois que o joelho já era, chega no início da trilha. 1h30 de caminhada na montanha antes do gelo! Nessa hora eu já tava morta de cansaço e xingando o Gui pela ideia brilhante de me enfiar naquela roubada. E isso porque nem tinha começado!

A trilha na montanha foi sacanagem... Olha só o sobe desce! Mas pelo menos a vista é fantástica durante o trajeto.

A caminhada termina no acampamento da Hielo y Aventura na mata. Lá eles distribuem os crampons (grampos para os pés) e colocam também aquelas cadeirinhas de escalada em cada um, "pois caso alguém caia em um buraco, eles conseguem puxar de volta" (palavras tranquilizadoras do guia!). Dá pra dar uma descansada merecida e fazer um lanchinho rápido enquanto todo mundo se ajeita.

Finalmente, pé no gelo! Caminhamos um pedacinho até a base para colocar os crampons nos pés. Como a gente não tem a manha, os guias se dividem pra colocar em cada um. Depois disso dão instruções de como andar com os crampons, que não podemos nos afastar das trilhas que eles fizeram, etc, e dividem a galera em grupos de 10. Nessa hora fiquei de olho em como os grupos estavam se dividindo, e tentei ficar longe dos com mais cara de atleta. Eles acabam fazendo o ritmo da maioria, então... melhor ficar com os lerdos. ;) Com cada grupo vão dois guias, e trilham caminhos diferentes na geleira.

   
Up no visual para o trekking no gelo.

A vista deste ponto da geleira é ainda mais espetacular que do ponto do mini trekking, pois temos a visão da imensidão do glaciar subindo a montanha. A partir daqui já comecei a perdoar o Gui pela ideia do Big Ice.


Pé na imensidão de gelo! 

A caminhada no gelo também tem um ritmo forte, o que significa que eu sempre ficava pra trás (as vezes de cansaço, as vezes pelos melhores ângulos). Mas os guias iam parando em lugares lindos para observarmos. Lagoas, riachos, tons de azul incríveis! Até dentro de um túnel de gelo a gente passou. Os guias são muito cuidadosos, é tudo bem seguro. Se você fizer tudo direitinho, do jeito que eles orientam, não vai precisar de ser içado pela cadeirinha de alpinista. :)


  
Imensidão e lagoa azul (clique nas fotos para ampliar)

  
Túnel e rio de gelo (clique nas fotos para ampliar)

Seguindo o guia!  (clique para ampliar)

Depois de cerca de uma hora de andança, paramos no gelo para o almoço. Quem queria ir ao banheiro aproveitou este momento que tava todo mundo junto pra se esconder em algum lugar. Tem que improvisar na natureza mesmo. Eu me aguentei e não tive a experiência para contar. :)

Mais uma hora de andança e voltamos para o ponto da colocação dos crampons, onde são retirados. Desta vez, cada um faz o seu, e deixamos tudo de volta no acampamento. E depois, a pior parte... fazer a trilha da montanha todinha de novo. 1h30... andando no morro... subindo... descendo... Claro que ficamos em último outra vez.

No refúgio, tinha um café quentinho nos esperando e, finalmente, banheiros! De lá saímos para pegar o catamarã de volta ao porto. E, nova surpresa ! Uísque com gelo do glaciar. Mais chique impossível!

Tim tim !

Conclusões finais:

- É CARÍSSIMO (cerca de 350 reais por pessoa)! Mas, valeu a pena. Não dá pra esquecer nunca mais.
- O Big Ice é pra quem gosta de fazer trekking, pois as vezes me parecia que a galera tava lá mais pela andança do que pela paisagem. Eu ficava pra trás pra tirar foto e a guia já vinha resgatar a gente: "vamo! vamo!"
- Se você é fraco pra andar, não vá. Vá no mini trekking, que você já vai ver a parte mais bonita do passeio: as lagoas, os riachos do derretimento do glaciar, os mil tons de azul. Tem que ter um preparo considerável pra aguentar o Big Ice. Pra mim foi bem difícil!
- Depois que vi as fotos de um amigo que fez o mini trekking, percebi como a vista do glaciar que se tem do Big Ice é mais bonita. No ponto do Big Ice dá pra ver a imensidão do glaciar por todos os lados, subindo as montanhas... Impressionante, absolutamente.
- Gostei muitíssimo da equipe da Hielo y Aventura. São poucas pessoas por grupo, eles são muito cuidadosos e atenciosos com todo mundo. É tudo bem seguro, pode levar seus filhos pra fazer o mini trekking sem medo.
- Roupas: Fomos com roupas impermeáveis (eu fui com roupa de motoboy!), pois se escorregar você pode se molhar e ficar passando frio depois. Mas tinha gente de calça jeans, e não deu problema nenhum.
- Sapatos: Compramos botas de trekking por aqui mesmo. O Gui comprou uma Nômade (modelo Finistere), que o pessoal do mochileiros.com falou muito bem. Eu comprei uma da Bull Terrier (modelo Fox Hunter), mais baratinha. Foi muito bom estar de bota, porque o pessoal aperta tanto os crampons no pé que se não for cano alto pode machucar. Mas tinha até um cara lá com um nikezinho furado.


Ô país bonito essa Argentina!

Veja tudo sobre a Patagônia no Colecionando Ímãs em: 
Patagônia - Índice de Posts.



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