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quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Procissão do Fogaréu em Goiás

Apesar de todas as dificuldades no caminho, neste ano consegui realizar um dos meus sonhos de viagem: assistir à Procissão do Fogaréu, na Cidade de Goiás. A Procissão é uma tradição da noite de quarta feira da Semana Santa há mais de duzentos anos, e representa a perseguição e prisão de Cristo.

O Gui já tinha assistido quando era mais novo e avisou: "O negócio é meio impressionante!" E tinha toda razão: à meia noite, as luzes do Centro Histórico se apagaram e a cidade passou a ser iluminada pelas tochas dos farricocos, personagens de vestes coloridas, com capuzes pontudos e pés descalços, que representam os soldados romanos na perseguição a Jesus. Algumas tochas também foram distribuídas pelos organizadores entre os fiéis que acompanham a Procissão (inclusive eu). Mesmo com chuva, as tochas não se apagaram e o espetáculo foi completo.

Os farricocos prontos para o início da Procissão do Fogaréu. Foto gentilmente cedida por Lúcia Araújo.

A Procissão se iniciou em frente à Igreja da Boa Morte, de onde o farricocos seguiram em marcha e ao ritmo dos tambores até a Igreja Nossa Senhora do Rosário. Em frente a esta igreja, encontraram a mesa da última ceia já dispersa, havendo uma pequena encenação. A marcha se reiniciou até a Igreja São Francisco de Paula, onde o Cristo, representado por um estandarte pintado pelo artista goiano Veiga Vale, foi encontrado e preso ao som de um clarim. Neste momento também foi realizada uma homilia pelo pároco da cidade, e a Procissão terminou em frente à mesma igreja do início, a da Boa Morte.

Acompanharam os farricocos um coral de vozes, que cantou nos três momentos de parada em frente à igrejas, e conjunto de tambores, que impuseram o ritmo à marcha e tornaram o espetáculo ainda mais emocionante.

Os farricocos em frente à Igreja N. S. do Rosário. Foto gentilmente cedida por Maísa Narvaez.

Neste ano havia muita gente acompanhando a Procissão, inclusive alguns que estavam lá mais pela farra que pela celebração. Isso atrapalhou um pouquinho, porque o pessoal conversava, gritava, fazia barulho, e tirou um pouco do brilho e da seriedade da encenação. Também achei meio corrido (em uma hora terminou tudo), talvez tenha sido por causa da chuva... Parece que em anos anteriores era uma hora e meia de duração.

Tentamos acompanhar, mas era tanta gente que acabávamos ficando lá pra trás. Como nas paradas eles esperam o pessoal chegar e se aglomerar para iniciar a encenação, conseguimos assistir, mas fotografar estava meio impossível, ainda mais com chuva. Se seu objetivo é fotografar não é uma boa ideia tentar seguir a Procissão, pois não dá tempo de chegar e conseguir uma boa posição. Talvez seja mais tranquilo seguir direto para a Igreja São Francisco de Paula, onde é encenada a prisão, e já tentar garantir um bom posicionamento para as fotos. Fiquei com inveja do repórter da Globo lá no meio das tochas.

Mas, valeu a pena! É um espetáculo único. Na sexta feira santa também há a Procissão do Descendimento e do Cristo Morto, que também parece ser bem bonita, mas não ficamos pra assistir.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Eu odeio GPS!

Eu sei que o GPS foi uma grande invenção da humanidade... Que é o máximo ver o seu carrinho andando na tela do seu celular, em tempo real (até hoje fico impressionada com isso). Mas, se aquela moça falando sem parar já me irritava antes, depois do que passamos pra ir de Brasília à Cidade de Goiás fiquei com vontade de mandá-la sair na saída!

A Cidade de Goiás (vulgo Goiás Velho) é a antiga capital do estado, e é uma cidade histórica muito bonita. Na Semana Santa, acontece a famosa Procissão do Fogaréu, quando as luzes do Centro Histórico são apagadas e a cidade é iluminada pelas tochas dos farricocos na perseguição a Jesus. É uma tradição linda, que eu era doida pra conhecer, e este ano consegui.

Mas não foi fácil hein... A Procissão acontece de quarta pra quinta feira santa, meia noite. Saímos mais cedo do trabalho e pegamos a estrada umas 17h, seguindo o caminho traçado pelo Tom Tom e também pelo Google Maps. Seriam 275 km, com previsão de 4h de viagem.

"Tá tranquilo, é um retão até lá!". Ledo engano.

Chegando em Cocalzinho de Goiás, o GPS nos mandou entrar dentro da cidade. As placas concordavam, apontando o Parque Estadual dos Pirineus, em Pirenópolis. Pegamos uma rua estreita e demos de cara com a BR-070... uma estrada de terra! Voltamos pra pedir informação num bar que tínhamos visto no caminho, e a galera confirmou que era um trecho muito longo de terra, cheio de pedras, e nos sugeriram seguir para Pirenópolis por Corumbá. Bora né... Não queríamos pegar estrada de terra a noite depois da experiência na volta do Parque Torres del Paine.

Fizemos a meia volta e demos de cara com um monte de gente andando na pista, quase atropelamos uma meia dúzia. Quando tentamos ultrapassar, descobrimos que era um cortejo, muito mal sinalizado. O problema é que, durante a ultrapassagem, vinha um carro na nossa direção que, quando freou para não topar com a gente, levou uma batida na traseira de uma camionete que vinha atrás. Ai ai ai... Começou aquela discussão de quem era culpado pelo acidente, de quem ia ficar com o prejuízo, e depois de uma hora e uma contribuição financeira para o conserto, conseguimos seguir viagem.

Em Pirenópolis nos perdemos de novo, e paramos em outro bar pra pedir informação (aquela hora da noite era a única coisa aberta!). O tiozinho, já cheio de cerveja, soltou: "Pra Goiás? Hi... Você não chega lá hoje não, o caminho é muito complicado! Dorme aí mesmo!". Convencemos o cara que teríamos que estar lá naquele dia, e ele nos explicou que ainda não dava pra pegar a BR-070 e teríamos que seguir até Jaraguá. "Lá você pergunta de novo!"

O doido do GPS continuava insistindo para pegarmos BR-070, a de terra. Dois postos depois, descobrimos que teríamos que passar por Itaguaru, um ovo de cidade, e que a estrada de Jaraguá até lá tava "o puro buraco" (os goianos e suas expressões divertidas...). Ficamos meio perdidos de novo dentro da cidade, e paramos num hotelzinho pra perguntar. O vigia já tinha até se escondido achando que era assalto, coitado, de tanto que a cidade já estava deserta.

Nesta hora eu já tava achando que não chegaríamos a tempo pra Procissão, mas até que o estado do asfalto não era tão grave assim. Na cidade não tinha mais uma viva alma na rua, e nem uma mísera placa de sinalização... Acabamos encontrando uma moça fazendo faxina num posto que nos indicou o caminho até Itaguari, onde finalmente a BR-070 era asfaltada e a gente conseguiu se localizar.

Somando o tempo perdido no acidente, nas paradas pra pedir informação, e nos 40km acrescentados ao caminho, chegamos na Cidade de Goiás exatamente as 23h45, 15 minutos antes do início da Procissão. Descemos a ladeira da Praça junto com os ritmistas da Procissão! Ufa, essa foi por pouco...

O caminho na verdade foi assim

Durante o percurso fiquei pensando naquele meu mapão do Guia 4 Rodas, quase rasgando de tanta dobra... Certeza que ele saberia que a BR-070 não era asfaltada! Aí entrei no site do Guia 4 Rodas, e não é que o mapão agora é online? É a seção traçar rota do site, onde você pode escolher a opção mais rápida ou mais curta.


Na seleção pela rota mais rápida, ele nos mandou passar por Anápolis, que apesar de ser mais longe, a estrada até lá é duplicada e, por isso, mais rápida. Escolhendo a rota mais curta ele sugere o mesmo caminho que o Google Maps, com uma importantíssima diferença: abaixo do mapa, na descrição do caminho, ele conta qual é o estado da estrada. Aí passa a ser problema seu qual caminho decidir, ele faz o trabalho dele de te avisar onde você vai se meter!

Olha só... o Guia 4 Rodas sabia que a estrada era de terra!

Infelizmente não pudemos testar o caminho sugerido pelo Guia, porque na volta passamos em Goiânia e pra lá é outro caminho. Mesmo passando por Anápolis, o caminho sugerido pelo Guia 4 Rodas tem 16km de estrada de terra, que pode ser evitado passando por Jaraguá e Itaguaru.

Depois disso tudo, aprendi que a moça portuguesa do GPS fica perdidinha no interior do Brasil, e que o bom e velho Guia 4 Rodas ainda é a fonte mais confiável de informação (além dos tiozinhos dos postos e botecos, claro).


E você, ama ou odeia a mocinha do GPS? Desabafe nos comentários!

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