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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Viajando com a Ethiopian Airlines: perrengue a caminho do Japão!

O Japão era um sonho antigo de viagem, então quando o Melhores Destinos anunciou as passagens pra lá com quase 40% de desconto (obrigada, pessoal!), ficamos animadíssimos e fizemos uma reserva para pagar nas 24h seguintes, enquanto pensávamos no roteiro.

A promoção tinha um pequeno detalhe: era pela Ethiopian Airlines, uma companhia aérea africana que não conhecíamos. Pesquisei suas rotas, e me tranquilizei pela companhia voar pela Europa, onde a fiscalização é rigorosa. Consultei meu amigo Diego, um apaixonado por aviação, e ele me disse que os aviões da companhia eram novos, Boeings 787. Também lemos o relato lá do Melhores Destinos, e então decidimos pagar as reservas!

Ah, se eu soubesse que meu perrengue homérico estava só começando… Vou até dividir em capítulos pra vocês acompanharem melhor.

Perrengue Parte 1: Pagar as Reservas

site_ethiopian_airlines

Site bonitinho mas ordinário

A reserva vencia as 23h, então umas 15h acessei a reserva pelo site, botei o número do cartão, e quem disse que funcionava? Depois de várias tentativas, liguei no escritório deles em São Paulo, e me informaram que no site não funciona mesmo (oi?), tinha que preencher um formulário autorizando o débito no cartão e enviar pra eles por email até as 16h30, porque o escritório fechava as 17h. Depois disso, só ligando no escritório da Etiópia.

Bem tosco né? Mas eu tava tão ansiosa pelo Japão que nem percebi que era um sinal…

Mandei a foto da autorização pra eles e logo chegou a mensagem do cartão no meu celular. Passagens São Paulo – Tóquio emitidas! Depois compramos o trecho Brasília – Guarulhos pela Gol. No total ficou 30% mais barato.

Perrengue Parte 2: Voo Guarulhos-Adis Abeba

ethiopian_airlines_inside

O moderninho 787 da Ethiopian Airlines

Muitos planos, reservas e ansiedade chegou o dia do embarque! Seguimos até Guarulhos de Gol e embarcamos na Ethiopian Airlines no horário certinho. Foi um alívio perceber que o avião era realmente bem moderno. Como o vôo tava vazio, pulei pra cadeira mais pra trás que tava desocupada, já esperando a hora de poder dormir. Afinal, nosso vôo sairia as 2h da manhã, eu já estava acabada.

Mas o tal aviso de atar cintos não acendia nunca. Encerraram o embarque, e nada da decolagem. Uns 40 minutos depois, as aeromoças começaram a servir água, e eu perguntei o que tava acontecendo. E ela: “Deu um problema no avião, estão consertando.”

Ah tá…. legal.

Logo depois o capitão avisou que o problema era que a pista de Guarulhos tinha fechado pra manutenção, e eles estavam tentando convencer o pessoal do aeroporto a liberar. No fim das contas, a decolagem aconteceu só as 5 da manhã, isto é, com 3 horas de atraso.

Sei lá se deu problema no avião ou no aeroporto ou nos dois. Só sei que os nossos estavam só começando…

Quando chegamos em Adis Abeba, capital da Etiópia onde faríamos a conexão para o vôo até Tóquio, não havia nenhum funcionário em solo para nos orientar, então corremos pro portão de embarque, onde descobrimos que o voo já tinha saído há horas. A funcionária nos encaminhou para um balcão de informações, onde nos deram um novo cartão de embarque para Xangai, e um papel com os dados do voo pra Tóquio que pegaríamos de lá, da companhia japonesa ANA. Nessa confusão conhecemos a Patricia e o Fábio, um outro casal de brasileiros que tava mais perdido que a gente, porque não falavam inglês.

Bora pra China então! A conexão seria de 2,5 horas.

Perrengue Parte 3: Largados na China

xangai_aiport

O imenso aeroporto de Xangai (esse prédio é só um dos dois terminais)

Aterrissamos no horário previsto, mas até a sala de desembarque foram uns 40 minutos, pois o aeroporto é uma imensidão. E ainda tivemos que passar pela imigração chinesa: um bando de funcionário de cara amarrada, que demorava um século pra liberar cada pessoa, deixava outros furarem fila, uma zona. Na fila descobrimos mais um monte de brasileiros no mesmo barco que a gente.

Quando finalmente conseguimos passar pela imigração, a Patrícia, que tínhamos conhecido na Etiópia, veio nos avisar que tinha umas malas do nosso vôo encostadas no saguão, e não é que nossas malas que deveriam ir direto pra Tóquio estavam lá perdidas? Saímos arrastando as malas pro portão de embarque, quando encontramos os outros brasileiros dizendo que a gente tinha perdido a conexão de novo.

Detalhe: a Patricia e o Fábio estavam de mudança pro Japão, levando 6 malas, que sumiram. Só encontraram uns 3 dias depois.

xangai_aeroporto

O balcão de informações do aeroporto de Xangai.

Agora já éramos 10 brasileiros perdidos na China, então seguimos todos ao guichê da Ethiopian Airlines pra remarcar as passagens. Chegando lá, não tinha ninguém, só uma funcionária da ANA, companhia aérea japonesa, parceira da Ethiopian. Ela nos informou que não havia mais voo disponível pra Tóquio naquele dia, e que os funcionários da Ethiopian Airlines só chegariam as 20h30, três horas antes do próximo vôo deles.

Eram 15h30.

Pense na nossa cara de desânimo. Sono. Cansaço. Indignação. Já estávamos viajando há 24 horas.

A internet do aeroporto do Xangai era bem ruim, mas uma das brasileiras conseguiu mandar Whatsapp pra agente de viagens dela aqui no Brasil. A agente ligou pro atendimento da Ethiopian Airlines, e eles disseram que teríamos que resolver pessoalmente lá mesmo, pra emitir vouchers de hotel.

Enquanto isso, eu tentando ligar pro Booking.com pra avisar que chegaríamos com um dia de atraso, com medo de cancelarem a reserva por não termos aparecido. Não consegui pelo Skype, nem pelo orelhão chinês. Quem me salvou foi a Verinha, minha amiga madrugadora do grupo de viajantes de Brasília, que estava acordada as 5h30 da manhã e ligou lá pra mim.

Bora botar um número de Whatsapp pra entrarmos em contato, né Booking!

Ficamos lá no aeroporto batendo papo com a brasileirada até as 20h15, quando o guichê da Ethiopian Airlines finalmente abriu. Falei com um chinês, que falou que eu tinha que esperar o chefe dele chegar.

A sorte do chinês é que eu tava tão cansada que não tinha forças pra levantar o braço e dar na cara dele.

ethiopian_airlines_checkin

Os guichês da Ethiopian Airlines finalmente abertos.

Depois de meia hora, o chinês chefe chega. Gastei todo o meu inglês com ele, e conseguimos realocação nos vôos do outro dia e hotel pra todo mundo. Já eram 22h30 quando seguimos pro hotel.

Fome? Até pedimos, mas a Ethiopian disse que só daria voucher pro restaurante do hotel que já tava fechado. Todo mundo teve que se virar com as barrinhas de cereal que tinham trazido do avião, porque ninguém lembrou de trocar dinheiro no aeroporto pra comprar na lojinha de conveniência em frente ao hotel.

No outro dia finalmente deu tudo certo, ufa. Chegamos em Tóquio e o hotel ainda tava esperando a gente, mas tivemos que pagar a diária perdida. Nem tentamos reembolso, mas as outras pessoas que tentaram ainda não conseguiram.

Perrengue Parte 4: A Volta

aeroporo_adis_abeba

O aeroporto de Adis Abeba alagado por causa da chuva.

Comparado com a ida, a volta nem pode ser considerada perrengue… Mas vocês concordam que ficar esperando a conexão num aeroporto alagado de tanta goteira não é tanta tranquilidade, né? Dá uma olhada atrás da placa da foto: a caixa usada no raio X servindo de balde.

E nem vou reclamar que os funcionários do aeroporto devem ser os etíopes mais antipáticos do país, hein.

Ah ! E pedimos pra jogar as milhas no programa Amigo, da Avianca, e quem disse que caíram? Reclamamos há mais de um mês e nada! Depois de um mês brigando com a Avianca, reclamamos no ReclameAqui e ela finalmente explicou direito: nossa tarifa era da classe O, que apesar de pontuarem no programa de milhagem da Ethiopian, não pontuam na Avianca, de acordo com essa tabela.

Dois prejuízos: diária do hotel de Tóquio e milhas! #valeuEthiopian

Mas não tem nada de bom nessa Ethiopian Airlines?

Os perrengues aconteceram em solo, os voos foram tranquilos. Os aviões eram realmente bem novos, não muito apertados, e não estavam cheios, conseguimos vir com 3 poltronas cada um em todos eles.

ethiopian_airlines_seats ethiopian_airlines_space

As poltronas e o espaço (tenho 1,70 e ainda ficava um espacinho).


A comida era até boa, serviram 3 refeições no total.

ethiopian_airlines_almoco ethiopian_airlines_lunch

Comida de avião


Sobre o entretenimento, não há legendas em português nem em inglês nos filmes, então pra quem não entende inglês tem só poucas opções de filmes brasileiros.

ethiopian_airlines_entertainment

E aí, qual a conclusão final?

Quero distância da Ethiopian Airlines! Talvez considere pegar de novo só pra conhecer as igrejas de Lalibela, a principal atração da Etiópia.

Acho que se não tivéssemos saído com atraso de São Paulo teria sido até tranquilo, mas se alguma coisa sair do script, danou-se. Mesmo no aeroporto de Adis Abeba, cheio de funcionários deles, ficamos perdidos, sem informação. E onde eles têm poucos voos, você tem que ficar esperando o guichê abrir pra tentar resolver seu problema. Por que não fazem uma parceria com alguma companhia local, pra gente não ficar desamparado esperando um funcionário aparecer né?

Além do aeroporto de Adis Abeba ser um caos completo. Estão reformando, talvez melhore em breve.

O ponto positivo foi conseguir vir com 3 lugares porque os voos não estavam lotados, que foi crucial para conseguirmos dormir e aguentar uma viagem tão longa. Imagine 30 horas apertado em uma poltrona de classe econômica? Depois dessa viagem comecei a achar loucura não fazer um pit stop numa viagem pra Ásia.

Se eu fosse você, esperaria uma promoção da Emirates!

 

Quer dar mais risada da desgraça alheia? Tem mais perrengue aqui no blog, curiosamente sempre envolvendo meios de transporte…

Trens na Europa: Aventuras nos Trens Russos
Carro no Brasil: Eu odeio GPS!

 

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domingo, 1 de setembro de 2013

Aventuras nos Trens Russos

Andamos de trem duas vezes na Rússia: a primeira, no trem bala Sapsan, que liga Moscou e São Petersburgo em apenas 4 horas. A outra foi em São Petersburgo, para visitar o Tsarkoe Selo, ou Palácio de Catarina, que fica fora da cidade (post em breve!).

O perrengue do Sapsan já começou aqui do Brasil, enquanto tentávamos comprar as passagens antecipadamente, pra evitar ter que conversar com alguém na estação. Há várias agências de viagem que vendem as passagens pela internet mas a Geórgia, leitora do Viaje na Viagem, me deu a dica que era muito mais barato comprar diretamente do site da companhia RZD e que, apesar de ser todo em russo, ela tinha conseguido comprar com a ajuda de um documento no Trip Advisor com o passo a passo.

O documento está um pouquinho desatualizado, mas com ele e a tradução do Google Chrome fomos caminhando no processo de compra. Deixamos pra comprar na semana do embarque e não conseguimos completar por erro no site, como se estivesse sobrecarregado. Uma pena, seria uma bela economia. :( Acabamos comprando no site Way to Russia, uma agência de vendas de passagens em parceria com a All Russian Trains.

Pegamos o trem das 13h45 para não ter q acordar muito cedo e ver a paisagem da janelinha (que, inclusive, não tem a menor graça... praticamente só há cidades pequenas e pobres entre as duas metrópoles). Ao sair do hotel, confirmamos com a especialista em trens pra onde teríamos que ir: estação de trem Leningradskiy, cuja estação de metrô mais próxima é a Komsomolskaya.

É sério, o hotel era tão grande que tinha uma pessoa só pra cuidar de venda de passagens de trens para os hóspedes. E ainda bem viu, se não fosse ela teríamos ido parar em outra estação de metrô! Moscou tem umas trocentas estações de trem e é fácil de confundir. Outra coisa engraçada foi que enquanto ela não apareceu nenhum outro funcionário conseguiu dar uma informação confiável, todo mundo perdidinho.

Saímos do metrô quase uma hora antes do horário marcado para a partida do trem. Antecedência crucial, porque quem disse que achávamos a plataforma de embarque? O metrô Komsomolskaya sai em 3 estações de trem diferentes, Kazanskiy, Yaroslavskiy e Leningradskiy. Não tem nenhuma mísera placa de sinalização em inglês e meus míseros conhecimentos da língua russa não ajudaram em nada. Como estava o maior frio, entramos na primeira que vimos e nem sinal do Sapsan. Mostrei a passagem prum guarda, que disse (acho) que não conseguia ler sem os óculos, e uma moça viu meu stress e veio me socorrer em inglês. Disse que estávamos no prédio errado e nos apontou o certo... Rumamos pra lá e tava uma zona, tudo em obras, não conseguimos achar, voltamos pra perguntar, a vendedora de passagem apontou pro mesmo prédio, a gente voltou e nada, fomos pra um terceiro prédio, onde encontramos um balcão de informações e a funcionária nos apontou pro mesmo prédio... Mas não é possível! Voltamos lá e saímos entrando em todas as portas que vimos na frente, inclusive uma pequenininha com um detector de metais e... a plataforma tava lá escondida! Ufaaaa... Sério, acho que demoramos uns 40 minutos pra achar a droga da plataforma. Acho que com o fim das obras não vai ser tão difícil, mas chegue com antecedência!

Achamos os trens, aleluia!

A outra confusão foi em São Petersburgo. Descobrimos que dava pra ir no Palácio Tsarkoe Selo de ônibus ou de trem, aí pensamos: "De trem é mais fácil, aparece o nome da estação e a gente desce, não tem que ficar perguntando onde tem que descer." Pensamento lógico, mas não na Rússia...

Chegamos na estação Vitebsk e advinha? Nada escrito em inglês. Peguei o Guia e mostrei o nome do palácio em russo pra uma atendente, e aí ela pegou um papel plastificado e grudou no vidro pra gente ler. Lá estava explicando em inglês qual o guichê que vendia a passagem pro Palácio.

Pergunta que não quer calar: custa grudar esse papel num painel de informações pros coitados dos turistas não terem que "incomodar" a atendente? Claro, aí seria muito mais simples e menos russo! :)

Bem, fomos pro dito guichê e apontei o nome do palácio de novo no guia pra moça. Ela confirmou com a cabeça que era ali, e nos fez uma pergunta. Em russo! Fizemos aquela cara de "não entendi nada" e ela repetiu, falando mais devagar, como se adiantasse alguma coisa... Como viu que não deu em nada, começou a apontar um dedo pra cada lado, cruzando os braços como um X, e falando. Antes do tempo da ampulheta do Imagem&Ação terminar, entendi: "Ela tá perguntando se é ida e volta!" \o/ Confirmamos, pegamos as passagens e fomos pra plataforma. 

 
O guichê da tia do ida e volta e o caminho da plataforma de embarque para o Palácio de Catarina.

Tinha um trem parado na plataforma e... duas linhas. Como saber que era aquele mesmo? Até tentamos perguntar pra tiazinha do ida e volta, mas ela continuou apontando pro mesmo lugar. Entramos no trem e o Gui criou coragem pra perguntar pra um casalzinho se eles falavam inglês, e a menina falava. Ufa! Confirmou que era aquele trem e que desceríamos na mesma estação que ela, na cidade de Pushkin. Se não fosse essa menina a gente tava lascado, porque tinha estação que não tinha nome escrito na parede! 

O trem era super antigo. Também fomos vendo os subúrbios de São Petersburgo pela janela, e como são bem diferentes da bela cidade. Um monte de prédio igual e mal cuidado (tinha alguns em construção também) e, pertinho da linha do trem, os moradores constroem umas casinhas pra guardar os carros. Parece uma favelinha, fica bem feio.

 

Quando chegamos à Pushkin tivemos que andar bastante até o Palácio, a menina do trem nos ajudou de novo com o caminho. E, chegando lá, o que encontramos? Os ônibus, que vinham direto de São Petersburgo e paravam bem na porta : | 

Bom, pelo menos aprendi a fazer a mímica do ida e volta. :)

A volta foi uma experiência meio soviética. O trem estava lotado, um pessoal de mais idade, sentado organizadamente em três em cada banquinho, aquele silêncio quebrado de vez em quando por uma senhora cheia da vodca na cabeça. Chegou num determinado ponto, quase todos desceram carregando sacola vazia, carrinho de compras... Pareciam que estavam indo enfrentar as filas dos mercados da antiga URSS. 

Por termos voltado uns 30 anos no tempo, a viagem de trem valeu a pena. :)


Veja tudo sobre a Rússia no Colecionando Ímãs em: Rússia - Índice de Posts.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Eu odeio GPS!

Eu sei que o GPS foi uma grande invenção da humanidade... Que é o máximo ver o seu carrinho andando na tela do seu celular, em tempo real (até hoje fico impressionada com isso). Mas, se aquela moça falando sem parar já me irritava antes, depois do que passamos pra ir de Brasília à Cidade de Goiás fiquei com vontade de mandá-la sair na saída!

A Cidade de Goiás (vulgo Goiás Velho) é a antiga capital do estado, e é uma cidade histórica muito bonita. Na Semana Santa, acontece a famosa Procissão do Fogaréu, quando as luzes do Centro Histórico são apagadas e a cidade é iluminada pelas tochas dos farricocos na perseguição a Jesus. É uma tradição linda, que eu era doida pra conhecer, e este ano consegui.

Mas não foi fácil hein... A Procissão acontece de quarta pra quinta feira santa, meia noite. Saímos mais cedo do trabalho e pegamos a estrada umas 17h, seguindo o caminho traçado pelo Tom Tom e também pelo Google Maps. Seriam 275 km, com previsão de 4h de viagem.

"Tá tranquilo, é um retão até lá!". Ledo engano.

Chegando em Cocalzinho de Goiás, o GPS nos mandou entrar dentro da cidade. As placas concordavam, apontando o Parque Estadual dos Pirineus, em Pirenópolis. Pegamos uma rua estreita e demos de cara com a BR-070... uma estrada de terra! Voltamos pra pedir informação num bar que tínhamos visto no caminho, e a galera confirmou que era um trecho muito longo de terra, cheio de pedras, e nos sugeriram seguir para Pirenópolis por Corumbá. Bora né... Não queríamos pegar estrada de terra a noite depois da experiência na volta do Parque Torres del Paine.

Fizemos a meia volta e demos de cara com um monte de gente andando na pista, quase atropelamos uma meia dúzia. Quando tentamos ultrapassar, descobrimos que era um cortejo, muito mal sinalizado. O problema é que, durante a ultrapassagem, vinha um carro na nossa direção que, quando freou para não topar com a gente, levou uma batida na traseira de uma camionete que vinha atrás. Ai ai ai... Começou aquela discussão de quem era culpado pelo acidente, de quem ia ficar com o prejuízo, e depois de uma hora e uma contribuição financeira para o conserto, conseguimos seguir viagem.

Em Pirenópolis nos perdemos de novo, e paramos em outro bar pra pedir informação (aquela hora da noite era a única coisa aberta!). O tiozinho, já cheio de cerveja, soltou: "Pra Goiás? Hi... Você não chega lá hoje não, o caminho é muito complicado! Dorme aí mesmo!". Convencemos o cara que teríamos que estar lá naquele dia, e ele nos explicou que ainda não dava pra pegar a BR-070 e teríamos que seguir até Jaraguá. "Lá você pergunta de novo!"

O doido do GPS continuava insistindo para pegarmos BR-070, a de terra. Dois postos depois, descobrimos que teríamos que passar por Itaguaru, um ovo de cidade, e que a estrada de Jaraguá até lá tava "o puro buraco" (os goianos e suas expressões divertidas...). Ficamos meio perdidos de novo dentro da cidade, e paramos num hotelzinho pra perguntar. O vigia já tinha até se escondido achando que era assalto, coitado, de tanto que a cidade já estava deserta.

Nesta hora eu já tava achando que não chegaríamos a tempo pra Procissão, mas até que o estado do asfalto não era tão grave assim. Na cidade não tinha mais uma viva alma na rua, e nem uma mísera placa de sinalização... Acabamos encontrando uma moça fazendo faxina num posto que nos indicou o caminho até Itaguari, onde finalmente a BR-070 era asfaltada e a gente conseguiu se localizar.

Somando o tempo perdido no acidente, nas paradas pra pedir informação, e nos 40km acrescentados ao caminho, chegamos na Cidade de Goiás exatamente as 23h45, 15 minutos antes do início da Procissão. Descemos a ladeira da Praça junto com os ritmistas da Procissão! Ufa, essa foi por pouco...

O caminho na verdade foi assim

Durante o percurso fiquei pensando naquele meu mapão do Guia 4 Rodas, quase rasgando de tanta dobra... Certeza que ele saberia que a BR-070 não era asfaltada! Aí entrei no site do Guia 4 Rodas, e não é que o mapão agora é online? É a seção traçar rota do site, onde você pode escolher a opção mais rápida ou mais curta.


Na seleção pela rota mais rápida, ele nos mandou passar por Anápolis, que apesar de ser mais longe, a estrada até lá é duplicada e, por isso, mais rápida. Escolhendo a rota mais curta ele sugere o mesmo caminho que o Google Maps, com uma importantíssima diferença: abaixo do mapa, na descrição do caminho, ele conta qual é o estado da estrada. Aí passa a ser problema seu qual caminho decidir, ele faz o trabalho dele de te avisar onde você vai se meter!

Olha só... o Guia 4 Rodas sabia que a estrada era de terra!

Infelizmente não pudemos testar o caminho sugerido pelo Guia, porque na volta passamos em Goiânia e pra lá é outro caminho. Mesmo passando por Anápolis, o caminho sugerido pelo Guia 4 Rodas tem 16km de estrada de terra, que pode ser evitado passando por Jaraguá e Itaguaru.

Depois disso tudo, aprendi que a moça portuguesa do GPS fica perdidinha no interior do Brasil, e que o bom e velho Guia 4 Rodas ainda é a fonte mais confiável de informação (além dos tiozinhos dos postos e botecos, claro).


E você, ama ou odeia a mocinha do GPS? Desabafe nos comentários!

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