Aventuras nos Trens Russos

Andamos de trem duas vezes na Rússia: a primeira, no trem bala Sapsan, que liga Moscou e São Petersburgo em apenas 4 horas. A outra foi em São Petersburgo, para visitar o Tsarkoe Selo, ou Palácio de Catarina, que fica fora da cidade (post em breve!).

O perrengue do Sapsan já começou aqui do Brasil, enquanto tentávamos comprar as passagens antecipadamente, pra evitar ter que conversar com alguém na estação. Há várias agências de viagem que vendem as passagens pela internet mas a Geórgia, leitora do Viaje na Viagem, me deu a dica que era muito mais barato comprar diretamente do site da companhia RZD e que, apesar de ser todo em russo, ela tinha conseguido comprar com a ajuda de um documento no Trip Advisor com o passo a passo.

O documento está um pouquinho desatualizado, mas com ele e a tradução do Google Chrome fomos caminhando no processo de compra. Deixamos pra comprar na semana do embarque e não conseguimos completar por erro no site, como se estivesse sobrecarregado. Uma pena, seria uma bela economia. 🙁 Acabamos comprando no site Way to Russia, uma agência de vendas de passagens em parceria com a All Russian Trains.

Pegamos o trem das 13h45 para não ter q acordar muito cedo e ver a paisagem da janelinha (que, inclusive, não tem a menor graça… praticamente só há cidades pequenas e pobres entre as duas metrópoles). Ao sair do hotel, confirmamos com a especialista em trens pra onde teríamos que ir: estação de trem Leningradskiy, cuja estação de metrô mais próxima é a Komsomolskaya.

É sério, o hotel era tão grande que tinha uma pessoa só pra cuidar de venda de passagens de trens para os hóspedes. E ainda bem viu, se não fosse ela teríamos ido parar em outra estação de metrô! Moscou tem umas trocentas estações de trem e é fácil de confundir. Outra coisa engraçada foi que enquanto ela não apareceu nenhum outro funcionário conseguiu dar uma informação confiável, todo mundo perdidinho.

Saímos do metrô quase uma hora antes do horário marcado para a partida do trem. Antecedência crucial, porque quem disse que achávamos a plataforma de embarque? O metrô Komsomolskaya sai em 3 estações de trem diferentes, Kazanskiy, Yaroslavskiy e Leningradskiy. Não tem nenhuma mísera placa de sinalização em inglês e meus míseros conhecimentos da língua russa não ajudaram em nada. Como estava o maior frio, entramos na primeira que vimos e nem sinal do Sapsan. Mostrei a passagem prum guarda, que disse (acho) que não conseguia ler sem os óculos, e uma moça viu meu stress e veio me socorrer em inglês. Disse que estávamos no prédio errado e nos apontou o certo… Rumamos pra lá e tava uma zona, tudo em obras, não conseguimos achar, voltamos pra perguntar, a vendedora de passagem apontou pro mesmo prédio, a gente voltou e nada, fomos pra um terceiro prédio, onde encontramos um balcão de informações e a funcionária nos apontou pro mesmo prédio… Mas não é possível! Voltamos lá e saímos entrando em todas as portas que vimos na frente, inclusive uma pequenininha com um detector de metais e… a plataforma tava lá escondida! Ufaaaa… Sério, acho que demoramos uns 40 minutos pra achar a droga da plataforma. Acho que com o fim das obras não vai ser tão difícil, mas chegue com antecedência!

Achamos os trens, aleluia!


A outra confusão foi em São Petersburgo. Descobrimos que dava pra ir no Palácio Tsarkoe Selo de ônibus ou de trem, aí pensamos: “De trem é mais fácil, aparece o nome da estação e a gente desce, não tem que ficar perguntando onde tem que descer.” Pensamento lógico, mas não na Rússia…

Chegamos na estação Vitebsk e advinha? Nada escrito em inglês. Peguei o Guia e mostrei o nome do palácio em russo pra uma atendente, e aí ela pegou um papel plastificado e grudou no vidro pra gente ler. Lá estava explicando em inglês qual o guichê que vendia a passagem pro Palácio.

Pergunta que não quer calar: custa grudar esse papel num painel de informações pros coitados dos turistas não terem que “incomodar” a atendente? Claro, aí seria muito mais simples e menos russo! 🙂

Bem, fomos pro dito guichê e apontei o nome do palácio de novo no guia pra moça. Ela confirmou com a cabeça que era ali, e nos fez uma pergunta. Em russo! Fizemos aquela cara de “não entendi nada” e ela repetiu, falando mais devagar, como se adiantasse alguma coisa… Como viu que não deu em nada, começou a apontar um dedo pra cada lado, cruzando os braços como um X, e falando. Antes do tempo da ampulheta do Imagem&Ação terminar, entendi: “Ela tá perguntando se é ida e volta!” o/ Confirmamos, pegamos as passagens e fomos pra plataforma.

 

O guichê da tia do ida e volta e o caminho da plataforma de embarque para o Palácio de Catarina.


Tinha um trem parado na plataforma e… duas linhas. Como saber que era aquele mesmo? Até tentamos perguntar pra tiazinha do ida e volta, mas ela continuou apontando pro mesmo lugar. Entramos no trem e o Gui criou coragem pra perguntar pra um casalzinho se eles falavam inglês, e a menina falava. Ufa! Confirmou que era aquele trem e que desceríamos na mesma estação que ela, na cidade de Pushkin. Se não fosse essa menina a gente tava lascado, porque tinha estação que não tinha nome escrito na parede!

O trem era super antigo. Também fomos vendo os subúrbios de São Petersburgo pela janela, e como são bem diferentes da bela cidade. Um monte de prédio igual e mal cuidado (tinha alguns em construção também) e, pertinho da linha do trem, os moradores constroem umas casinhas pra guardar os carros. Parece uma favelinha, fica bem feio.

 

 

Quando chegamos à Pushkin tivemos que andar bastante até o Palácio, a menina do trem nos ajudou de novo com o caminho. E, chegando lá, o que encontramos? Os ônibus, que vinham direto de São Petersburgo e paravam bem na porta : |

Bom, pelo menos aprendi a fazer a mímica do ida e volta. 🙂

A volta foi uma experiência meio soviética. O trem estava lotado, um pessoal de mais idade, sentado organizadamente em três em cada banquinho, aquele silêncio quebrado de vez em quando por uma senhora cheia da vodca na cabeça. Chegou num determinado ponto, quase todos desceram carregando sacola vazia, carrinho de compras… Pareciam que estavam indo enfrentar as filas dos mercados da antiga URSS.

Por termos voltado uns 30 anos no tempo, a viagem de trem valeu a pena. 🙂

Veja tudo sobre a Rússia no Colecionando Ímãs em: Rússia – Índice de Posts.


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5 comentários sobre “Aventuras nos Trens Russos

  1. Marcelo Lemos

    Caraca, Camila! Que sufoco! 🙂
    Agora eu entendi a sua hashtag #perdidanarussia 😀
    Eu já sou perdido por natureza, mesmo com placas. Em um lugar como este, acho que ficaria uns três dias batendo cabeça sem rumo.. 😛

    1. Camila Torres

      Oi Marcelo !
      Pois é, a gente também é beeem perdido. Tipo quase chegar em Jaraguá voltando de Pirenópolis pra Goiânia (!). Por isso fiquei bem feliz de ter conseguido sobreviver na Rússia!
      Obrigada pela visita!
      Camila

  2. Gene Harry

    Estou rindo até agora…Boa aventura!
    Passei um perrengue assim em Izmir na Turquia..
    Obrigado pelos seus relatos…Estou amando

  3. Analuiza (Espiando Pelo Mundo)

    Noossaaa Camila, quanta aventura!!!

    Eu peguei trem duas vezes: Moscou – Petersburgo (a noite toda: optamos pela experiência) e Omsk – Tomsk). Foi muito tranquilo, não passamos perrengue algum, não houve dificuldade de nenhuma espécie.

    Compramos os bilhetes ainda no Brasil pelo Visit Russia, com stress zero também.

    Parece que minha viagem à Rússia foi desprovida de fortes emoções, se comparada com a de vcs! rsrsrs

    bj Ana

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