O Japão era um sonho antigo de viagem, então quando o Melhores Destinos anunciou as passagens pra lá com quase 40% de desconto (obrigada, pessoal!), ficamos animadíssimos e fizemos uma reserva para pagar nas 24h seguintes, enquanto pensávamos no roteiro.
A promoção tinha um pequeno detalhe: era pela Ethiopian Airlines, uma companhia aérea africana que não conhecíamos. Pesquisei suas rotas, e me tranquilizei pela companhia voar pela Europa, onde a fiscalização é rigorosa. Consultei meu amigo Diego, um apaixonado por aviação, e ele me disse que os aviões da companhia eram novos, Boeings 787. Também lemos o relato lá do Melhores Destinos, e então decidimos pagar as reservas!
Ah, se eu soubesse que meu perrengue homérico estava só começando… Vou até dividir em capítulos pra vocês acompanharem melhor.
Perrengue Parte 1: Pagar as Reservas

Site bonitinho mas ordinário
A reserva vencia as 23h, então umas 15h acessei a reserva pelo site, botei o número do cartão, e quem disse que funcionava? Depois de várias tentativas, liguei no escritório deles em São Paulo, e me informaram que no site não funciona mesmo (oi?), tinha que preencher um formulário autorizando o débito no cartão e enviar pra eles por email até as 16h30, porque o escritório fechava as 17h. Depois disso, só ligando no escritório da Etiópia.
Bem tosco né? Mas eu tava tão ansiosa pelo Japão que nem percebi que era um sinal…
Mandei a foto da autorização pra eles e logo chegou a mensagem do cartão no meu celular. Passagens São Paulo – Tóquio emitidas! Depois compramos o trecho Brasília – Guarulhos pela Gol. No total ficou 30% mais barato.
Perrengue Parte 2: Voo Guarulhos-Adis Abeba

O moderninho 787 da Ethiopian Airlines
Muitos planos, reservas e ansiedade chegou o dia do embarque! Seguimos até Guarulhos de Gol e embarcamos na Ethiopian Airlines no horário certinho. Foi um alívio perceber que o avião era realmente bem moderno. Como o vôo tava vazio, pulei pra cadeira mais pra trás que tava desocupada, já esperando a hora de poder dormir. Afinal, nosso vôo sairia as 2h da manhã, eu já estava acabada.
Mas o tal aviso de atar cintos não acendia nunca. Encerraram o embarque, e nada da decolagem. Uns 40 minutos depois, as aeromoças começaram a servir água, e eu perguntei o que tava acontecendo. E ela: “Deu um problema no avião, estão consertando.”
Ah tá…. legal.
Logo depois o capitão avisou que o problema era que a pista de Guarulhos tinha fechado pra manutenção, e eles estavam tentando convencer o pessoal do aeroporto a liberar. No fim das contas, a decolagem aconteceu só as 5 da manhã, isto é, com 3 horas de atraso.
Sei lá se deu problema no avião ou no aeroporto ou nos dois. Só sei que os nossos estavam só começando…
Quando chegamos em Adis Abeba, capital da Etiópia onde faríamos a conexão para o vôo até Tóquio, não havia nenhum funcionário em solo para nos orientar, então corremos pro portão de embarque, onde descobrimos que o voo já tinha saído há horas. A funcionária nos encaminhou para um balcão de informações, onde nos deram um novo cartão de embarque para Xangai, e um papel com os dados do voo pra Tóquio que pegaríamos de lá, da companhia japonesa ANA. Nessa confusão conhecemos a Patricia e o Fábio, um outro casal de brasileiros que tava mais perdido que a gente, porque não falavam inglês.
Bora pra China então! A conexão seria de 2,5 horas.
Perrengue Parte 3: Largados na China

O imenso aeroporto de Xangai (esse prédio é só um dos dois terminais)
Aterrissamos no horário previsto, mas até a sala de desembarque foram uns 40 minutos, pois o aeroporto é uma imensidão. E ainda tivemos que passar pela imigração chinesa: um bando de funcionário de cara amarrada, que demorava um século pra liberar cada pessoa, deixava outros furarem fila, uma zona. Na fila descobrimos mais um monte de brasileiros no mesmo barco que a gente.
Quando finalmente conseguimos passar pela imigração, a Patrícia, que tínhamos conhecido na Etiópia, veio nos avisar que tinha umas malas do nosso vôo encostadas no saguão, e não é que nossas malas que deveriam ir direto pra Tóquio estavam lá perdidas? Saímos arrastando as malas pro portão de embarque, quando encontramos os outros brasileiros dizendo que a gente tinha perdido a conexão de novo.
Detalhe: a Patricia e o Fábio estavam de mudança pro Japão, levando 6 malas, que sumiram. Só encontraram uns 3 dias depois.

O balcão de informações do aeroporto de Xangai.
Agora já éramos 10 brasileiros perdidos na China, então seguimos todos ao guichê da Ethiopian Airlines pra remarcar as passagens. Chegando lá, não tinha ninguém, só uma funcionária da ANA, companhia aérea japonesa, parceira da Ethiopian. Ela nos informou que não havia mais voo disponível pra Tóquio naquele dia, e que os funcionários da Ethiopian Airlines só chegariam as 20h30, três horas antes do próximo vôo deles.
Eram 15h30.
Pense na nossa cara de desânimo. Sono. Cansaço. Indignação. Já estávamos viajando há 24 horas.
A internet do aeroporto do Xangai era bem ruim, mas uma das brasileiras conseguiu mandar Whatsapp pra agente de viagens dela aqui no Brasil. A agente ligou pro atendimento da Ethiopian Airlines, e eles disseram que teríamos que resolver pessoalmente lá mesmo, pra emitir vouchers de hotel.
Enquanto isso, eu tentando ligar pro Booking.com pra avisar que chegaríamos com um dia de atraso, com medo de cancelarem a reserva por não termos aparecido. Não consegui pelo Skype, nem pelo orelhão chinês. Quem me salvou foi a Verinha, minha amiga madrugadora do grupo de viajantes de Brasília, que estava acordada as 5h30 da manhã e ligou lá pra mim.
Bora botar um número de Whatsapp pra entrarmos em contato, né Booking!
Ficamos lá no aeroporto batendo papo com a brasileirada até as 20h15, quando o guichê da Ethiopian Airlines finalmente abriu. Falei com um chinês, que falou que eu tinha que esperar o chefe dele chegar.
A sorte do chinês é que eu tava tão cansada que não tinha forças pra levantar o braço e dar na cara dele.

Os guichês da Ethiopian Airlines finalmente abertos.
Depois de meia hora, o chinês chefe chega. Gastei todo o meu inglês com ele, e conseguimos realocação nos vôos do outro dia e hotel pra todo mundo. Já eram 22h30 quando seguimos pro hotel.
Fome? Até pedimos, mas a Ethiopian disse que só daria voucher pro restaurante do hotel que já tava fechado. Todo mundo teve que se virar com as barrinhas de cereal que tinham trazido do avião, porque ninguém lembrou de trocar dinheiro no aeroporto pra comprar na lojinha de conveniência em frente ao hotel.
No outro dia finalmente deu tudo certo, ufa. Chegamos em Tóquio e o hotel ainda tava esperando a gente, mas tivemos que pagar a diária perdida. Nem tentamos reembolso, mas as outras pessoas que tentaram ainda não conseguiram.
Perrengue Parte 4: A Volta

O aeroporto de Adis Abeba alagado por causa da chuva.
Comparado com a ida, a volta nem pode ser considerada perrengue… Mas vocês concordam que ficar esperando a conexão num aeroporto alagado de tanta goteira não é tanta tranquilidade, né? Dá uma olhada atrás da placa da foto: a caixa usada no raio X servindo de balde.
E nem vou reclamar que os funcionários do aeroporto devem ser os etíopes mais antipáticos do país, hein.
Ah ! E pedimos pra jogar as milhas no programa Amigo, da Avianca, e quem disse que caíram? Reclamamos há mais de um mês e nada! Depois de um mês brigando com a Avianca, reclamamos no ReclameAqui e ela finalmente explicou direito: nossa tarifa era da classe O, que apesar de pontuarem no programa de milhagem da Ethiopian, não pontuam na Avianca, de acordo com essa tabela.
Dois prejuízos: diária do hotel de Tóquio e milhas! #valeuEthiopian
Mas não tem nada de bom nessa Ethiopian Airlines?
Os perrengues aconteceram em solo, os voos foram tranquilos. Os aviões eram realmente bem novos, não muito apertados, e não estavam cheios, conseguimos vir com 3 poltronas cada um em todos eles.

As poltronas e o espaço (tenho 1,70 e ainda ficava um espacinho).
A comida era até boa, serviram 3 refeições no total.

Comida de avião
Sobre o entretenimento, não há legendas em português nem em inglês nos filmes, então pra quem não entende inglês tem só poucas opções de filmes brasileiros.

E aí, qual a conclusão final?
Quero distância da Ethiopian Airlines! Talvez considere pegar de novo só pra conhecer as igrejas de Lalibela, a principal atração da Etiópia.
Acho que se não tivéssemos saído com atraso de São Paulo teria sido até tranquilo, mas se alguma coisa sair do script, danou-se. Mesmo no aeroporto de Adis Abeba, cheio de funcionários deles, ficamos perdidos, sem informação. E onde eles têm poucos voos, você tem que ficar esperando o guichê abrir pra tentar resolver seu problema. Por que não fazem uma parceria com alguma companhia local, pra gente não ficar desamparado esperando um funcionário aparecer né?
Além do aeroporto de Adis Abeba ser um caos completo. Estão reformando, talvez melhore em breve.
O ponto positivo foi conseguir vir com 3 lugares porque os voos não estavam lotados, que foi crucial para conseguirmos dormir e aguentar uma viagem tão longa. Imagine 30 horas apertado em uma poltrona de classe econômica? Depois dessa viagem comecei a achar loucura não fazer um pit stop numa viagem pra Ásia.
Se eu fosse você, esperaria uma promoção da Emirates!
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