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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Hoteis Baratos na Califórnia: rede Wyndham

Viajar pela Califórnia é uma delícia, como vocês perceberam no nosso roteiro de 20 dias, mas não é barato. Quando comecei a pesquisar os hotéis, fiquei assustada. Os preços pareciam com os de Nova York! 

Os que eram menos caros eram mal avaliados no Booking.com, com notas em torno de 7.5, além daquela cara de motel americano com as portas que dão direto pra rua e o estacionamento em frente, igual a gente vê tanto em filme. Mas comecei a cogitar a reserva quando vi que poucas críticas eram relativas a limpeza e conforto, os itens mais importantes na minha opinião. Reservamos apenas hoteis duas estrelas e... não é que deu tudo certo?

Por coincidência, a maioria dos hoteis que ficamos pertencem ao grupo Wyndham, dono de várias redes. Comprovamos mais uma vez um dos fatores de sucesso das empresas americanas: padronização. Nos hoteis da rede, os quartos eram grandes, limpos, confortáveis, quentinhos. A grande maioria tinha cofre, frigobar, máquina de café e ferro de passar no quarto, as vezes até microondas. Em todos os hoteis dos EUA também observamos máquinas de gelo no corredor (não sei que mania de gelo é essa que eles têm).

Ferro, tábua de passar e cabides no Days Inn/ Frigobar, microondas e máquina de café no Ramada.

Os banheiros tinham banheira e iam além da toalha, sabonetinho e papel higiênico: tinham secador de cabelo, lenços de papel, xampu, condicionador e hidratante.

O atendimento também foi muito bom em todos. Lembrando que a padronização também ajuda neste aspecto, pois os funcionários são treinados. Claro que isso também os deixa um pouco menos simpáticos e mais travados para uma conversa, mas não fomos lá pra isso, não é mesmo?

A gente fica preocupado com o fato da porta do quarto dar direto pra rua, mas todas tinham uma trava a mais, ficamos tranqüilos.

Já o café da manhã é fraco mesmo, as críticas são verdadeiras. Em todos os hotéis era sempre a mesma coisa: pão de forma, manteiga salgada, manteiga de amendoim, cereais, leite, café, chá. As vezes ovo cozido (congelado!), iogurte, waffle, maçã e banana. Prato e copo descartável, pra você mesmo liberar a mesa pro próximo.

 

O grupo Wyndham detém várias marcas, e nós nos hospedamos nas redes Knigths Inn, Ramada, Travelodge e Days Inn. Como conhecendo um hotel da rede você conhece todos (tipo Ibis), então dá pra você se basear na nossa opinião sobre aquela rede mesmo que for se hospedar em uma outra unidade. Eles têm até um programa de fidelidade, o Wyndham Rewards, que descobri agora... Seja mais esperto que eu e se cadastre para ganhar diárias grátis.

Reservamos com antecedência apenas os hoteis de LA, San Francisco e perto do Yosemite (em El Portal). Os demais foi no mesmo dia da chegada. E lembre-se: se você reservar utilizando nossos links para o Booking.com, recebemos uma comissão, e você não paga nada a mais por isso! É só você iniciar sua pesquisa por aqui, não precisa nem ficar no mesmo hotel que a gente. Antecipadamente, obrigada. :)

Bom, vamos às redes:


Em Los Angeles nos hospedamos no Knights Inn Los Angeles Central / Convention Center Area. Entre os hoteis do grupo Wyndham que ficamos, o Knights Inn foi o mais simples. Era limpo, confortável, espaçoso, mas antiguinho, com móveis e carpete gastos. Tinha ferro e tábua de passar.


 

A porta do quarto não dava pra rua, e tinha uma sacadinha pra fumantes (não sei se há em todas as unidades). A garagem era ótima, coberta e com portão (verifique também se há na unidade que você escolher).

O atendimento também era nota 10: chegamos as 2h da manhã e tava tudo certinho.

 

Especificamente sobre a unidade que ficamos em LA, ela fica em Downtown, a 3 minutos de carro de uma atração incrível da cidade: o Walt Disney Concert Hall. Como em LA as atrações são bem distantes umas das outras, não faz tanta diferença a localização do hotel para os passeios, pois você vai ter que pegar carro de qualquer jeito. Mas mesmo assim a localização do hotel não era tão legal, pois fica pertinho de um viaduto onde alguns mendigos dormiam (mas super tranquilo de chegar de carro) e na beira de uma freeway, que fazia barulho.

Recomendação: fique nas unidades Knights Inn somente se o preço estiver muito abaixo dos demais, eles são bem mais simples.


Em Monterey, ficamos no Ramada Limited Monterey, e gostamos muito. Apesar do Ramada também ser duas estrelas, era muito superior ao Knights Inn: o quarto era imenso (acho que tinha uns 40 metros quadrados!), e apesar do gelo que tava lá fora, super quentinho. Clique nas fotos para ampliar.

 

A pia é separada do banheiro, o que é legal quando se está em duas pessoas. O quarto também era muito bem equipado, com ferro de passar, frigobar, microondas e máquina de café. Bom pra quem tá com criança e tem que fazer umas comidinhas de última hora.

 


Esquecemos de tirar foto da fachada, mas apesar da porta dos quartos dar pra fora, não é direto pra rua, então era bem silencioso. O único problema é que tomamos uma chuvinha pra andar até o café, pois uma parte não era coberta.

Especificamente sobre a localização da unidade de Monterey, não dava pra ir a pé para a Cannery Row, mas de carro foi rapidinho.

Recomendação: Ramada Limited aprovado !


Em San Francisco nos hospedamos no Travelodge by the Bay, e também gostamos bastante. Assim como o Ramada, o quarto era imenso. Pegamos o quarto com cama king e a cama era ótima! Mas não tinha nem frigobar nem microondas, apenas máquina de café no quarto.

 

Tinha que sair na rua para ir até o café (frio!) e ele seguia o padrão dos demais, mas o salão era muito pequeno, acho que dividimos mesa todos os dias. O que é até legal né, conversamos com um casal da Austrália e um canadense. :)

Alguns quartos têm a porta direto pro pátio da garagem, e outros são no prédio em anexo. O nosso ficava no prédio, cujo acesso era liberado pelo cartão do quarto. 


Especificamente sobre a unidade de San Francisco: é cobrada uma taxa de 17 dólares pela diária da garagem, o que é normal na cidade. Por isso, lá devolvemos o carro e utilizamos os ônibus, seguindo as instruções do Google Maps para transporte público. Os ônibus são ótimos e o Google Maps funcionou super bem. Acho que eles devem testar esta funcionalidade em San Francisco, pois o Vale do Sicílio é lá pertinho!

E tinha lavanderia de moeda no hotel ! Bem útil :)

O Travelogde by the Bay é bem localizado, na Lombard St (aquela das curvas). São 20 minutos andando até o Fisherman's Wharf, onde há diversos restaurantes. Pra voltar é um pouco mais cansativo, porque é subida :)

Recomendação: Travelogde aprovado !


O Days Inn Yosemite Sierra Inn foi o hotel do segundo dia da visita ao Yosemite National Park, como contei neste post. No primeiro dia ficamos em El Portal, no Yosemite View Lodge, perto da entrada mais próxima das Yosemite Falls, e no segundo dormimos na cidade de Oakhurst, perto da entrada mais próxima às sequóias gigantes. A cidade é minúscula, é só pra dormir mesmo.

O hotel é bem na beira da estrada para o parque, que é tranquila e o barulho não incomoda, ainda mais no inverno com as estradas congeladas. Há um estacionamento na frente do hotel, aberto e grátis.


O quarto é grande, limpo, confortável e quentinho (tanto que só percebemos a neve quando abrimos a porta pela manhã!). Há frigobar, microondas e máquina de café.

 

Ficamos em um andar mais alto e o acesso à escada só era liberado com o cartão do quarto. O café da manhã também estava incluído, e o salão era bem espaçoso.

Recomendação: Days Inn aprovado!


Estes foram os hoteis de rede onde nos hospedamos na Califórnia. Além destes, também ficamos no Sunset Motel, em Santa Bárbara, e no Trails Motel, em Lone Pine, no caminho para o Death Valley National Park.

Sunset Motel é até legalzinho, mas fica afastado do centro de Santa Bárbara (como estávamos de carro isso não foi um problema), e achei que a limpeza deixou um pouco a desejar, apesar de eu ter gostado bastante do banho na Jacuzzi. :D Não tínhamos reservado este quarto, mas ganhamos um upgrade.

 

Já o Trails Motel é bem ruinzinho. Antigo, meio gelado, limpeza a desejar, não tinha café da manhã. Só ficamos lá porque deixamos pra reservar no caminho e não tinha muita opção. Não recomendo!

 

Espero ter ajudado vocês nessa difícil tarefa de encontrar hoteis baratos na Califórnia. Se você também conhece algum, mande sua opinião nos comentários!


Veja nosso roteiro completo de 20 dias de carro nos Estados Unidos!



quarta-feira, 23 de julho de 2014

20 dias de carro entre Los Angeles, São Francisco e Las Vegas: Parte 2

A primeira parte deste roteiro foi pela costa, de Los Angeles a São Francisco pela Highway 1. A segunda parte foi ainda mais inesquecível: deixamos a costa de São Francisco e passamos por alguns dos maravilhosos parques nacionais americanos, para finalizar em Las Vegas. A figura abaixo mostra os 3000 km rodados em 8 dias, finalizados por 4 dias inteiros em Vegas. Uma viagem realmente espetacular, como jamais podíamos imaginar!



Também disponibilizamos o roteiro no Google Maps. As atrações que visitamos nesta segunda parte estão marcadas com pins verdes, e as cidades onde dormimos, com pins azuis, e há também o caminho que percorremos na segunda parte (por restrições do Google Maps Lite, não deu pra disponibilizar o caminho da primeira parte no mesmo mapa). Não botei ele aqui porque tem informação demais, então use o link abaixo para visualizar em tela inteira.


O que mais nos impressionou nos parques americanos foi a organização: os sites são cheios de informação, em todos você recebe um mapa e um jornalzinho com as atrações daquela estação (e são muitas!). As principais atrações são acessíveis de carro, e super bem sinalizadas. Dá pra alugar carro e ir tranquilamente, até mesmo se você for cadeirante, pois os principais mirantes são acessíveis. 

Mas se você é do tipo que sonha em fazer o Circuito W em Torres del Paine, não precisa se desapontar! Há várias opções de trekking nos parques, mas ficamos só no básico mesmo por falta de tempo. Visite os sites para ver as opções. 

Outra coisa bem impressionante é a enorme quantidade de visitantes em todos eles. Os americanos realmente adoram viajar! Vimos muitos aposentados, grupos de motociclistas, e famílias de motorhome, uma ótima opção para este roteiro pela distância e isolamento dos parques. Veja o relato inspirador da viagem de motorhome em família no Felipe, o pequeno viajante

Para este trecho, repetimos o mesmo carro da primeira parte: um Chrysler 200, um carro tipo o Toyota Corolla, da locadora Alamo (contratado com desconto no site Orlando Tickets Online). O 4x4 fez falta apenas no Monument Valley, onde as estradas internas são de terra e estão em péssimas condições. Mas, como na maioria dos contratos de locação não é permitido andar em estradas de terra, não sei se compensa o aluguel de um 4x4. 

Chega de papo e vamos aos destinos! Os parques estão na ordem da nossa visita, com a distância percorrida até chegar lá desde o destino anterior. Foram grandes distâncias percorridas no deserto americano, mas foi muito tranquilo e até menos cansativo do que imaginávamos. A única preocupação era manter o tanque e o estômago cheios, pois as cidades são bem distantes umas das outras e não há muitos pontos de abastecimento entre elas.


Yosemite National Park : 280 km

O primeiro parque que visitamos após deixar São Francisco, o Yosemite foi o parque mais bonito de toda a viagem. Tem um post só pra ele contando todos os detalhes da nossa aventura lá com neve. 


Com neve ou sem neve, se você está planejando uma viagem até São Francisco, vale a pena reservar de 2 a 3 dias para visitá-lo. Só não pense em fazer um bate-volta, como o Gustavo Belli fez: chegando ao parque a estrada fica sinuosa e a viagem não rende. Durma pelo menos uma noite!


Death Valley National Park: 690 km

Depois do Yosemite, o próximo parque foi o Death Valley National Park, a 690 km em direção a Las Vegas. Para não ficar tão cansativo pra um dia só, andamos 520 km até a cidade de Lone Pine, onde passamos a noite, e depois foi o dia inteiro de deserto.

Confesso que não esperávamos tanto no parque, mas foi incrível! O Death Valley tem paisagens monumentais, tão imensas que as fotos não conseguem mostrar. Tem que ir até lá pra conhecer. Se você for a Las Vegas, tire um dia para conhecer o parque.



Hoover Dam: 230 km

Deixamos o Death Valley pra dormir em Las Vegas, já que tem muitas opções de hotel. Mas ainda não foi a hora da jogatina: acordamos cedo e seguimos para Tusayan, próxima ao Grand Canyon South Rim, fazendo um pit stop de engenheiro no caminho: a cinematográfica Hoover Dam! Conhecemos todos os detalhes da barragem, inclusive visitando as instalações da usina hidrelétrica.





Grand Canyon National Park: 390 km

Após o pitstop em Hoover Dam, no mesmo dia pegamos mais 390 km de estrada até Tusayan, a cidade que fica próxima ao Grand Canyon South Rim. O Grand Canyon é incrível, mas confesso que foi o parque que menos gostamos.


Mas é claro que valeu a pena, pra tirar essa foto aí. :)

Na primeira versão do roteiro, voltaríamos pra Vegas depois do Grand Canyon, pelo mesmo caminho da vinda. Aí, descobri que passando por cima do Grand Canyon (veja o caminho no mapa do início do post) passaríamos por duas atrações espetaculares: Monument Valley e Antelope Canyon. Como estávamos com dois dias meio sobrando no roteiro, deu certinho.


Monument Valley Navajo Tribal Park: 288 km

Fizemos um desvio de 250km na viagem entre Tusayan e Page para conhecer um lugar espetacular: o Monument Valley Navajo Tribal Park.

A paisagem é hipnotizante, você não consegue parar de admirar e fotografar. Foi só um pit stop, mas que arrependimento de não ter ficado pra ver o por do sol!



Page: 195 km

As últimas atrações naturais do nosso giro pelo deserto estavam na cidade de Page. Não é que os papeis de parede do Windows são reais? O Antelope Canyon era um daqueles sonhos que você nem imagina ser tão fácil de realizar. E não é só isso: é na cidade de Page que o rio Colorado faz a curva, chamada de Horseshoe bend. 



Las Vegas: 443 km

Finalizamos a viagem com chave de ouro: Las Vegas! Achei que não ia gostar, ia achar tudo brega, mas adorei a cidade. Tem muita coisa pra ver, e uma animação contagiante! Se você não gosta de jogatina, pode só passear pelos cassinos para ver o luxo, ou curtir os diversos espetáculos, a infraestrutura dos hoteis, fazer compras nos dois outlets, andar numa roda gigante panorâmica, numa montanha russa no alto de um prédio, dirigir uma Ferrari.

A minha atração preferida foi, sem dúvida, o espetáculo Love do Cirque du Soleil, em homenagem aos Beatles. É realmente maravilhoso, e só ele já vale a viagem.

Mais informações de Vegas em breve!

Resumo

Construí uma planilha no Google Drive com o nosso roteiro completo (parte 1 + parte2), mastigadinho pra você copiar. Não deixe de dar uma olhada em cada post, lá explico o porquê de algumas decisões que tomamos. 




Quer mais?

Apesar de tantos parques, deixamos o deserto americano com gostinho de quero mais. Se você gostar de viajar de carro, aproveite pra conhecer outros parques da região:
Eu já tô pensando no próximo roteiro! (como sempre :))

Dúvidas? Comente!


domingo, 8 de junho de 2014

Neve no Yosemite National Park


FICHA TÉCNICA       
Período: chegada dia 31/3/2014 a noite, saída dia 2/4/2014
Hotel Primeiro Dia: Yosemite View Lodge
Hotel Segundo Dia: Days Inn Yosemite Sierra Inn
Transporte até o hotel: Carro alugado
Distância: 319km desde San Francisco
Transporte do hotel ao parque: Ônibus Yarts

O Yosemite National Park é um dos parques mais visitados dos Estados Unidos. Fica a umas 5 horas de carro de San Francisco, e suas imensas montanhas de granito levam milhões de visitantes para lá todos os anos.

Já que o nosso planejamento saiu bem diferente da realidade, vou dividir o post em dois: planejamento e a visita propriamente dita.

Planejamento

Como contei no post sobre a primeira parte do nosso roteiro na Califórnia, estávamos com receio que a neve no Yosemite atrapalhasse nossos planos, e por isso começamos o roteiro por Los Angeles. Apesar de termos ido na primavera, ainda há chances de neve nesta época do ano, o que pode atrapalhar a visita.

Pelo motivo de parte do parque ficar fechado até meados de abril por causa da neve, como a Tioga Road e a Glacier Point Road, achamos que um dia inteiro seria suficiente para passearmos pelo Yosemite Valley (Yosemite Falls, no mapa abaixo) e ver as sequóias do Mariposa Grove, fazendo apenas trilhas curtas. A ideia era sair de São Francisco e dormir no Yosemite, passear o dia todo e dormir fora do parque, pra economizar, pois já seguiríamos viagem para o Death Valley.

Mapa do Yosemite. Fonte: http://www.inetours.com/Yosemite/Yosemite_Map.html

Decidimos nos hospedar fora do parque, pois dentro as opções ou são hotéis chiques ou campings. Para não perder muito tempo com deslocamento, nos hospedamos no Yosemite View Lodge, na vila de El Portal, pertinho da entrada do parque. O hotel é super no meio do nada, mas tem tudo o que você precisa em um mini mercado (sem preços abusivos), um restaurante, uma pizzaria. Não conhecemos o restaurante porque todos os quartos têm uma mini cozinha toda equipada, então passamos num supermercado na vinda e fizemos as refeições no quarto mesmo.

O hotel é bem grande, com vários prédios, e tem aquela cara de motel americano que a porta do quarto dá direto pra rua. O quarto é bem espaçoso, com aquecimento, e o banheiro é imenso (até meio frio por causa disso). O café da manhã é pago a parte, e a internet também (10 dólares por 24 horas). Neste caso nem fiquei muito indignada com a sobretaxa do wifi, porque a conexão num lugar tão remoto deve ser bem cara.

 

Ficamos no Yosemite View Lodge apenas na noite prévia à da visita ao parque. Como não sabia se íamos querer dormir perto do parque novamente ou tentar adiantar a viagem pro Death Valley e dormir mais pra frente, não reservei o hotel da segunda noite.

Visita

Nos atrasamos na saída de São Francisco e chegamos ao Yosemite no final da tarde pela Highway 120. E o que queríamos evitar, aconteceu: neve! Nunca havíamos dirigido com neve (na Patagônia foi só um pouquinho), e eu tava lá morrendo de medo e o Gui achando a aventura o máximo.

 
A entrada do Yosemite pela Highway 120, e a neve na estrada. 

Passamos por dentro do parque para chegar a El Portal (tivemos que pagar a taxa de 20 dólares por carro), mas não vimos nada por causa do tempo fechado. A paisagem do ímã lá do começo do post vai ter que ficar para uma próxima visita :(

Acordamos no dia seguinte e olhamos pra montanha: tudo branquinho depois da nevasca da madrugada. Ficamos preocupados se daria pra fazer o roteiro de carro que havíamos planejado por não termos correntes para os pneus. Como o site de estradas da California (Caltrans) não tem informações do parque, pedimos pra moça do hotel ligar lá, e ela disse que precisaríamos das correntes para ir até o Yosemite Valley. Mesmo que não esteja nevando naquele momento, se houver previsão de neve o policial pode exigir que você tenha as correntes dentro do carro, e te dar uma multa se não tiver. Por isso achamos melhor pegar o ônibus da Yarts que passava em frente ao hotel (14 dólares ida e volta), e deixamos o carro lá com as bagagens no porta malas.

Chegando ao centro de visitantes, a frustração do roteiro não realizado passou na hora. As paisagens estavam deslumbrantes! Foi a primeira vez que vimos neve fofa, então a primeira atividade foi uma guerrinha de bolas de neve e montar um boneco! :)

O ponto de ônibus do Centro de Visitantes com neve. Lindo!

E logo na chegada demos de cara com uma das atrações do parque: os animais! Os veados são bem mansinhos e sempre andam em bando, mas não pode dar comida nem chegar perto. Os esquilos também são fáceis de encontrar.

Os ursos são comuns no parque, mas não vimos nenhum. Eles foram um dos motivos por eu ter descartado dormir no camping. Imagina acordar a noite pra ir ao banheiro e dar de cara com um urso?

Os animais do Yosemite

Mas não precisa ter medo de fazer as trilhas. Com a movimentação das pessoas, os ursos não aparecem nas áreas com muitos turistas, a não ser que você resolva fazer um piquenique fora das áreas autorizadas (#semnoção). No mapa do parque tem as dicas do que fazer se houver um encontro inesperado.

Nossa primeira parada foi o vale, todo branquinho.

Yosemite Valley branquinho

Aproveitando que não estava nevando, fomos fazer a trilha das Yosemite Falls, pertinho do Centro de Visitantes. É bem, curtinha, acessível pra cadeirantes, e linda! Clique nas fotos para ampliar.

 
A linda trilha Yosemite Falls

Nesta época pudemos apreciar o fenômeno do frazil ice, que se forma quando a névoa (por exemplo, de uma cachoeira) congela, então o rio fica parecendo que tem pedrinhas de gelo como um copo de refrigerante.

A trilha leva até o pé da Lower Fall. Em alguns pontos da trilha podemos ver tanto a Upper quanto a Lower Fall. Incrível!

 
O rio e o fenômeno do frazil ice; a Lower Fall de pertinho; a vista da Lower e da Upper Falls.

Depois da trilha voltou a nevar, então entramos no ônibus grátis que circula pelo Yosemite Valley e ficamos olhando pela janelinha (veja o roteiro do ônibus aqui). Ele passa a cada 10 minutos e os motoristas são super simpáticos, explicando o que você verá a cada parada.

No inverno o tempo de espera é de 20 minutos.

 
O ônibus grátis que circula pelo parque, e suas paradas com cara de casa do Zé Colmeia.

Os brasileiros aqui ficaram com medo da neve, mas da janela do ônibus vimos gente com carrinho de bebê do lado de fora! Ô coragem.

O tempo melhorou e descemos no ponto do Mirror Lake, onde pudemos ver o famoso Half Dome entre as nuvens. No caminho da trilha pudemos apreciar a beleza das árvores gigantes (clique na foto e olhe o meu tamaninho perto de uma delas!)

 
Half Dome; Mirror Lake, eu perto de uma das árvores gigantes.

Com o tempo aberto voltamos para o Vale, para apreciar novamente suas montanhas. Reparem a diferença da foto que botei acima! A neve derrete durante o dia e a paisagem muda.

Yosemite Valley

A última parada foi para ver a cachoeira Véu de Noiva (Bridalveil Fall). Infelizmente não fizemos a trilha até lá pois perderíamos o último horário do ônibus.

Bridalveil Fall vista do pátio do Yosemite Lodge

De volta ao hotel, decidimos seguir viagem e dormir em Oakhurst, pertinho da entrada do parque que leva às sequóias de Mariposa Grove. A ideia era acordar cedo no outro dia, ver as sequóias e seguir para o Death Valley.

Como a estrada até Mariposa Grove por dentro do parque ainda não estava liberada para carros sem correntes nos pneus, fizemos o caminho de 90 km passando pela cidade de Mariposa. Paramos no Burguer King de lá, fizemos um lanche e usamos o Wifi para reservar o hotel daquela noite, o Days Inn Yosemite Sierra Inn. Confortável, quentinho, limpo, com microondas no quarto e café da manhã incluído. O único porém é que não tem elevador, mas para cadeirantes há quartos no térreo.

 

Acordamos no outro dia de manhã, olhamos pela janela e... tava tudo branquinho, lindo! O Gui saiu tirando foto igual um louco. Tivemos a inédita experiência de ter que tirar neve de cima do carro. :D

 
Oakhurst toda branquinha; o nosso hotel e o carro cobertos de neve

E nosso planejamento falhou de novo: por causa da neve da noite, a estrada até o Yosemite continuava fechada para carros sem correntes nos pneus, de acordo com o site Caltrans. Esperamos um pouquinho no hotel e, como tinha parado de nevar e as máquinas já tinham tirado a neve das ruas, achamos que estaria seguro e seguimos sem as correntes para o parque, na esperança do Caltrans estar desatualizado.

O problema é que a estrada passa por dentro da Sierra National Forest, e a neve das árvores vai derretendo e cai na pista, deixando a estrada perigosa mesmo depois da passagem do caminhão de limpeza. A estrada estava cheia de placas avisando que as correntes eram necessárias, mas fomos seguindo devagarinho... até darmos de cara com uma barreira policial que não deixava ninguém passar sem correntes. E não é só a gente que tava sem: mesmo quem tem morre de preguiça de colocar porque dá o maior trabalho, por isso as barreiras.

O policial podia ter nos dado uma multa, mas nos liberou pra voltar pra cidade e comprar as correntes. Encontramos para o tamanho do pneu do nosso carro por 65 dólares. Além de ser caro, se você não colocar direito ela pode danificar o pneu e até a lataria se soltar, então resolvemos não arriscar.

 
Placas dizendo que as correntes são necessárias; barreira policial obrigando todos os carros a colocar as correntes.

Como não há ônibus de Oakhurst até o parque, ficamos sem ver as sequóias :(

É, vamos ter que planejar outra viagem pra lá sem neve.

Dicas Finais

Se ficamos tristes por termos pegado neve no Yosemite? De jeito nenhum! O parque é MUITO bonito, e vê-lo coberto de neve foi demais. Vale a pena visitá-lo nesta época com certeza. Mas você tem que estar preparado para mudar seus planos por causa do tempo, como tivemos que fazer. A tática de não reservar o hotel do segundo dia foi acertada: apesar de não termos conseguido ver as sequóias, conseguimos adiantar a longa viagem até o Death Valley.

Se você quiser ficar dentro do parque ou nas vilas próximas, reserve, pois os hoteis ficam cheios. Os hoteis dentro do parque têm que ser reservados com meses de antecedência.

Para comer há opções de restaurantes e lanchonetes no vale. Nosso almoço foi um cachorro quente na Degnan's Deli.

Criança feliz congelando a mão com a bola de neve
Roupas: o Gui e eu seguimos a história das camadas. Meu modelito foi:
- Corpo: segunda pele high tech da Uniqlo (falei dela aqui) + uma blusa de lã fina + casaco que comprei na Spider no outlet de Camarillo, um corta vento com capuz e um miolo mais quente, que você pode tirar se precisar. Foi a salvação, senão ia congelar!
- Pernas: legging de inverno por baixo da calça jeans.
- Pés: uma meia normal, uma de lã e minha bota de trekking da Bull Terrier, a mesma do Big Ice da Patagônia. A bota tava descolando (no Death Valley ela descolou de vez) e impermeabilização não funciona mais, aí o interior da bota umedeceu um pouco e passei frio! :(
- Acessórios: cachecol de lã da Uniqlo, meu gorro fashion (sério, um monte de gente já veio falar comigo por causa dele!) e uma bolsa a tiracolo com a câmera e os lanchinhos. Esquecemos as luvas, fizeram falta.

O Gui é menos friorento e usou só uma calça e uma camiseta por baixo do casaco, que é do mesmo estilo do meu.

Outros blogs que nos ajudaram (obrigada!) e onde você pode pegar mais dicas sobre a visita ao Yosemite:
- A visita no inverno, no Tô pensando em viajar;
- O completíssimo guia no Mauoscar, sem neve;
- As dicas de hospedagem e comida do Sete Malas;
- Dois tópicos nos fóruns de discussão do Trip Advisor sobre visitar o Yosemite no início de abril (aqui e aqui)

Última dica: se pronuncia "Yosêmite", não "Yosemaite". :)


Veja nosso roteiro completo de 20 dias de carro nos Estados Unidos!


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