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quarta-feira, 23 de julho de 2014

20 dias de carro entre Los Angeles, São Francisco e Las Vegas: Parte 2

A primeira parte deste roteiro foi pela costa, de Los Angeles a São Francisco pela Highway 1. A segunda parte foi ainda mais inesquecível: deixamos a costa de São Francisco e passamos por alguns dos maravilhosos parques nacionais americanos, para finalizar em Las Vegas. A figura abaixo mostra os 3000 km rodados em 8 dias, finalizados por 4 dias inteiros em Vegas. Uma viagem realmente espetacular, como jamais podíamos imaginar!



Também disponibilizamos o roteiro no Google Maps. As atrações que visitamos nesta segunda parte estão marcadas com pins verdes, e as cidades onde dormimos, com pins azuis, e há também o caminho que percorremos na segunda parte (por restrições do Google Maps Lite, não deu pra disponibilizar o caminho da primeira parte no mesmo mapa). Não botei ele aqui porque tem informação demais, então use o link abaixo para visualizar em tela inteira.


O que mais nos impressionou nos parques americanos foi a organização: os sites são cheios de informação, em todos você recebe um mapa e um jornalzinho com as atrações daquela estação (e são muitas!). As principais atrações são acessíveis de carro, e super bem sinalizadas. Dá pra alugar carro e ir tranquilamente, até mesmo se você for cadeirante, pois os principais mirantes são acessíveis. 

Mas se você é do tipo que sonha em fazer o Circuito W em Torres del Paine, não precisa se desapontar! Há várias opções de trekking nos parques, mas ficamos só no básico mesmo por falta de tempo. Visite os sites para ver as opções. 

Outra coisa bem impressionante é a enorme quantidade de visitantes em todos eles. Os americanos realmente adoram viajar! Vimos muitos aposentados, grupos de motociclistas, e famílias de motorhome, uma ótima opção para este roteiro pela distância e isolamento dos parques. Veja o relato inspirador da viagem de motorhome em família no Felipe, o pequeno viajante. 

Para este trecho, repetimos o mesmo carro da primeira parte: um Chrysler 200, um carro tipo o Toyota Corolla, da locadora Alamo (contratado com desconto no site Orlando Tickets Online). O 4x4 fez falta apenas no Monument Valley, onde as estradas internas são de terra e estão em péssimas condições. Mas, como na maioria dos contratos de locação não é permitido andar em estradas de terra, não sei se compensa o aluguel de um 4x4. 

Chega de papo e vamos aos destinos! Os parques estão na ordem da nossa visita, com a distância percorrida até chegar lá desde o destino anterior. Foram grandes distâncias percorridas no deserto americano, mas foi muito tranquilo e até menos cansativo do que imaginávamos. A única preocupação era manter o tanque e o estômago cheios, pois as cidades são bem distantes umas das outras e não há muitos pontos de abastecimento entre elas.


Yosemite National Park : 280 km

O primeiro parque que visitamos após deixar São Francisco, o Yosemite foi o parque mais bonito de toda a viagem. Tem um post só pra ele contando todos os detalhes da nossa aventura lá com neve. 


Com neve ou sem neve, se você está planejando uma viagem até São Francisco, vale a pena reservar de 2 a 3 dias para visitá-lo. Só não pense em fazer um bate-volta, como o Gustavo Belli fez: chegando ao parque a estrada fica sinuosa e a viagem não rende. Durma pelo menos uma noite!


Death Valley National Park: 690 km

Depois do Yosemite, o próximo parque foi o Death Valley National Park, a 690 km em direção a Las Vegas. Para não ficar tão cansativo pra um dia só, andamos 520 km até a cidade de Lone Pine, onde passamos a noite, e depois foi o dia inteiro de deserto.

Confesso que não esperávamos tanto no parque, mas foi incrível! O Death Valley tem paisagens monumentais, tão imensas que as fotos não conseguem mostrar. Tem que ir até lá pra conhecer. Se você for a Las Vegas, tire um dia para conhecer o parque.



Hoover Dam: 230 km

Deixamos o Death Valley pra dormir em Las Vegas, já que tem muitas opções de hotel. Mas ainda não foi a hora da jogatina: acordamos cedo e seguimos para Tusayan, próxima ao Grand Canyon South Rim, fazendo um pit stop de engenheiro no caminho: a cinematográfica Hoover Dam! Conhecemos todos os detalhes da barragem, inclusive visitando as instalações da usina hidrelétrica.





Grand Canyon National Park: 390 km

Após o pitstop em Hoover Dam, no mesmo dia pegamos mais 390 km de estrada até Tusayan, a cidade que fica próxima ao Grand Canyon South Rim. O Grand Canyon é incrível, mas confesso que foi o parque que menos gostamos.


Mas é claro que valeu a pena, pra tirar essa foto aí. :)

Na primeira versão do roteiro, voltaríamos pra Vegas depois do Grand Canyon, pelo mesmo caminho da vinda. Aí, descobri que passando por cima do Grand Canyon (veja o caminho no mapa do início do post) passaríamos por duas atrações espetaculares: Monument Valley e Antelope Canyon. Como estávamos com dois dias meio sobrando no roteiro, deu certinho.


Monument Valley Navajo Tribal Park: 288 km

Fizemos um desvio de 250km na viagem entre Tusayan e Page para conhecer um lugar espetacular: o Monument Valley Navajo Tribal Park.

A paisagem é hipnotizante, você não consegue parar de admirar e fotografar. Foi só um pit stop, mas que arrependimento de não ter ficado pra ver o por do sol!



Page: 195 km

As últimas atrações naturais do nosso giro pelo deserto estavam na cidade de Page. Não é que os papeis de parede do Windows são reais? O Antelope Canyon era um daqueles sonhos que você nem imagina ser tão fácil de realizar. E não é só isso: é na cidade de Page que o rio Colorado faz a curva, chamada de Horseshoe bend. 



Las Vegas: 443 km

Finalizamos a viagem com chave de ouro: Las Vegas! Achei que não ia gostar, ia achar tudo brega, mas adorei a cidade. Tem muita coisa pra ver, e uma animação contagiante! Se você não gosta de jogatina, pode só passear pelos cassinos para ver o luxo, ou curtir os diversos espetáculos, a infraestrutura dos hoteis, fazer compras nos dois outlets, andar numa roda gigante panorâmica, numa montanha russa no alto de um prédio, dirigir uma Ferrari.

A minha atração preferida foi, sem dúvida, o espetáculo Love do Cirque du Soleil, em homenagem aos Beatles. É realmente maravilhoso, e só ele já vale a viagem.

Mais informações de Vegas em breve!

Resumo

Construí uma planilha no Google Drive com o nosso roteiro completo (parte 1 + parte2), mastigadinho pra você copiar. Não deixe de dar uma olhada em cada post, lá explico o porquê de algumas decisões que tomamos. 




Quer mais?

Apesar de tantos parques, deixamos o deserto americano com gostinho de quero mais. Se você gostar de viajar de carro, aproveite pra conhecer outros parques da região:
Eu já tô pensando no próximo roteiro! (como sempre :))

Dúvidas? Comente!


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Nossas impressões do Grand Canyon National Park


FICHA TÉCNICA       
Período: chegada dia 4/4/2014 a noite, saída dia 6/4/2014
Hotel: Red Feather Lodge (Ótimo!)
Transporte: Carro alugado
Distância: 433km desde Las Vegas, com pit stop em Hoover Dam

Continuando nosso roteiro iniciado em Los Angeles, depois da nossa visita à Hoover Dam seguimos para Tusayan, a cidade que fica próxima ao Grand Canyon South Rim.

O Grand Canyon tem 446 km de extensão, e sua entrada mais próxima de Las Vegas é a West Rim, onde tem aquela passarela de vidro. A West Rim fica dentro de uma reserva indígena, e não faz parte do parque nacional. Seguindo os conselhos do Viaje na Viagem e do Aprendiz de Viajante, seguimos para o parque nacional (South Rim) pois lá estão as paisagens mais famosas. Os dois blogs explicam direitinho cada pedacinho, passa lá pra saber os detalhes.

Tusayan não tem nada, é apenas uma vila pros turistas que não têm dinheiro pra ficar hospedados na Grand Canyon Village, dentro do parque. Mas é bem pertinho.

Acordamos no outro dia e seguimos direto para o parque, ver essa vista aí da foto :) Incrível, né?

Grand Canyon

O parque nacional é basicamente formado de diversos mirantes, de onde você pode ter diferentes vistas do Grand Canyon. A esquerda do Centro de Visitantes fica a Hermit Road, aberta entre março e novembro, onde os carros não podem circular. Você pode visitar os mirantes com os ótimos ônibus gratuitos do parque, de bicicleta (veja o relato da Camilla do Ensaios de Viagem aqui), ou até a pé, pois alguns mirantes são relativamente próximos uns dos outros.

 
Ônibus que circulam pelo Grand Canyon National Park, e parada perto do Centro de Visitantes

Do lado direito do Centro de Visitantes fica a Desert View Drive, onde os carros são permitidos na maioria dos mirantes. Aqui eles são mais distantes uns dos outros, então pra ir a pé fica mais complicado.

No último mirante fica a Desert View Tower, onde você pode observar o Grand Canyon do alto. Foi construída em 1932 como uma réplica de uma antiga torre indígena (que desâmino que me dá quando fico sabendo que uma construção com cara de velha só tem a cara :/ ).

Desert View Tower

Ficamos o dia todo pulando de mirante em mirante, para conferir os diferentes ângulos como os das fotos abaixo (na segunda, dá pra ver as voltinhas do Rio Colorado).

 
Vistas do Grand Canyon

Mas... é só isso. Achamos o parque um pouco monótono, sabe? No Yosemite e no Death Valley, a cada mirante era uma paisagem surpresa, como mostramos nos posts. No Grand Canyon, é mais do mesmo. Sinceramente, foi o parque que menos gostamos. #prontofalei

Pra ver uma paisagem diferente, fique até o final da tarde: as cores das montanhas se transformam, é lindo. Há alguns mirantes recomendados para ver o por do sol, mas ficamos no perto do Centro de Visitantes mesmo.


Se tiver mais tempo e preparo físico, dizem que de perto as cores do Grand Canyon são ainda mais bonitas. Mas você tem que acampar: descer e subir no mesmo dia não é recomendado, pois a subida é muito cansativa.

E você, gostou do Grand Canyon ou também ficou decepcionado como nós? Conte nos comentários!



terça-feira, 8 de julho de 2014

Dentro do Faroeste: Monument Valley Navajo Tribal Park

FICHA TÉCNICA       
Período: 06/04/2013
Hotel: Pit stop entre Tusayan e Page 
Transporte: Carro alugado
Distância: 288km de Tusayan até o MV + 195km do MV até Page

Foi tudo culpa do Felipe, o Pequeno Viajante. Tava de boa com nossos dois dias na Disney Califórnia mas, faltando 10 dias pro embarque, vimos os posts da Claudia mostrando paisagens ainda mais espetaculares a alguns quilômetros do Grand Canyon. Disney devidamente limada do roteiro, decidimos voltar do Grand Canyon para Las Vegas por cima, passando pela cidade de Page.

Mas antes de Page, fizemos um desvio até a fronteira entre os estado de Arizona e Utah para um pit stop no Monument Valley Navajo Tribal Park. Na estrada já começamos a ver algumas formações rochosas impressionantes. O da direita não é parecido com o famoso Fitz Roy, que visitamos em El Chaltén?


A nossa ansiedade era imensa! As estradas pareciam intermináveis, até que vimos a entrada do parque. A reserva dos índios Navajo ocupa uma grande parte do deserto americano, e o Monument Valley é um dos cinco parques da reserva abertos ao público. O ingresso custou 10 dólares pelo carro.


E aí, lá do Centro de Visitantes, já tivemos a vista das três incríveis colinas e aquele céu lindo, que são o principal cartão postal do parque. Ficamos hipnotizados, tirando fotos como loucos. Dá até pra ouvir a música dos antigos faroestes na cabeça.


Além dos 3, o vale é tomado por diversas outras formações criadas pelo vento. Uma paisagem única. 

 

Além da vista incrível do Centro de Visitantes, há uma estrada de 17 milhas que passa por diversos mirantes, mais próximos das colinas. Mas é aí que você começa a ficar com saudades da organização dos parques nacionais: a estrada é de terra e estava em péssimas condições. Tentamos chegar com o carro até o primeiro e desistimos rapidinho, de tantas crateras. Talvez com um carro 4x4 dê pra encarar, mas verifique seu contrato de locação, pois o nosso proibia o acesso a estradas de terra. 

Mas, não desista. Você pode pagar 75 dólares em um passeio com guia num caminhão pau de arara oferecido pelos índios. : |

Seguimos pra Page tristes por não podermos ficar para o por do sol... Fomos embora olhando pra trás, já doidos pra voltar. 




domingo, 8 de junho de 2014

O surpreendente Death Valley National Park

FICHA TÉCNICA       
Período: 2/4/2014, saída dia 3/4/2014
Hotel: Trails Motel (não recomendo!)
Transporte: Carro alugado
Distância Primeiro Dia: 521 km de Oakhurst até Lone Pine
Distância Segundo Dia: 170 km até o Death Valley National Park + 228 km até Las Vegas

Depois da visita ao Yosemite National Park (que contamos aqui), o próximo parque foi o Death Valley National Park, o ponto mais quente, mais baixo e mais seco dos Estados Unidos. Fomos de carro, apesar da distância de 650 km a partir de Oakhurst (entrada sul do Yosemite), porque de avião seria mais cansativo: teríamos que voltar para São Francisco, a 330 km, voar até Las Vegas, e dirigir até o parque, a 212 km. Pra economizar 100 km, não compensaria fazer essa volta toda.

Além do mais, dirigir nos EUA também é um passeio :) As estradas da Califórnia são lindas, passando por cidadezinhas e campos de cultivo. Há três opções de caminho entre o Yosemite e o Death Valley:

- O mais longo: subindo e passando por Sonora e pela Stanislaus National Forest pelas estradas CA-108 e US-395.
- O mais bonito: passando dentro do Yosemite, pelo Mono Lake e pelas montanhas usando as estradas Hwy 120 e US 395, é o que os americanos chamam de "scenic drive". Tínhamos esperança de passar por ele, mas este trecho da Hwy 120 (Tioga Pass Road) ainda tava fechado por causa da neve :( Geralmente ele abre em meados de maio. Veja aqui as datas de abertura e fechamento nos últimos anos.
- O mais rápido: passando por Fresno e Bakersfield pela freeway CA-99, que foi o que fizemos.



A segunda dúvida foi escolher onde dormir, pois o Death Valley já é parte do deserto americano e é bem isolado. Vindo de Las Vegas há a cidade de Beatty, a 65km do centro de visitantes mas, vindo do Yosemite, a cidade mais próxima do parque é Lone Pine, a 170 km! Pra não pagar caro na hospedagem dentro do parque e não ter que dirigir 650 km no mesmo dia, escolhemos Lone Pine, como sugerido lá no Aprendiz de Viajante.

No caminho pra lá reservamos o Trails Motel, que ganhou o prêmio de pior da viagem! É muito simples e o quarto tinha um cheirinho de mofo. Não recomendo.

Mas Lone Pine é uma gracinha de cidade! Parecia que estávamos dentro de um filme de faroeste. Foi lá que comprei esse ímã de botinha :)

 
A farmácia e o Mc Donald's de Lone Pine, em estilo faroeste.

O tema do faroeste continua presente na cidade pois ela é uma importante locação de filmes desde a época de John Wayne, homenageado na fachada do hotel Dow Villa, onde ele se hospedava. Há um museu do cinema na cidade, com as histórias das locações, mas não visitamos.

A razão deste sucesso entre os diretores de cinema são as Alabama Hills, onde o deserto é cercado pela bela Sierra Nevada. Lembra das cenas do primeiro Homem de Ferro, quando ele é ferido no Afeganistão? Que Afeganistão que nada, foram gravadas em Lone Pine.

E devo concordar, a paisagem é realmente fotôgenica, tendo a Sierra Nevada como moldura. As formações rochosas do deserto são bem interessantes, principalmente a pedra em formato de elefante. Demos um passeio de carro por lá antes de seguir para o Death Valley, e encontramos com uma equipe filmando o próximo longa. :)

 
A Sierra Nevada e as formações rochosas nas Alabamas Hills, em Lone Pine. 


A viagem entre Lone Pine e o Death Valley foi bem tranquila, mas prepare-se pra não encontrar muitos pontos de apoio (os banheiros são horríveis).

Chegando ao Death Valley, a primeira parada no parque foi Father Crowley Vista e suas montanhas escuras, originárias de erupções vulcânicas. Logo depois vem o Panamint Valley, tão longo que é utilizado como campo de testes de aeronaves pelas forças armadas americanas. Já deu pra perceber a imensidão do parque, e tirar a foto jacu clássica!

 


A entrada do Death Valley National Park; Father Crowley Vista e a estrada que passa pelo Panamint Valley.

Seguimos então para a Stovepipe Wells Village, onde pagamos a entrada. As atrações desta região do parque são as dunas de Mesquita e as trilhas de Salt Creek e Harmony Borax Works. As dunas não têm tanta graça, as de Natal e as de Cumbuco/CE são mais legais.

A trilha de Salt Creek só funciona na primavera, época de reprodução de um peixinho super herói que só vive neste pedacinho de rio de água salgada, quente e que seca na maior parte do ano. Deu pra ver o bichinho se reproduzindo loucamente.

Já a trilha Harmony Borax Works percorre as ruínas de uma usina de refino do mineral borax, e tem uma das composições que um time de 20 (!) mulas puxava carregada com o mineral.

 
A trilha de Salt Creek; a bagagem do time de 20 mulas.

As atrações até este ponto do parque são interessantes, mas não tão imperdíveis. Se você estiver vindo de Las Vegas e não tiver tempo de ir até o Paramint Springs, não se preocupe.

As principais atrações ficam ao redor de Furnace Creek, onde fica o centro de visitantes. Há restaurantes, hoteis, um mercadinho e até um campo de golf. Almoçamos um sanduíche e seguimos para os outros pontos, pois já eram 2 da tarde e ainda falta muito pra ver!

O primeiro foi o Badwater Basin, o ponto mais baixo da América do Norte (86 metros abaixo do nível do mar), onde passeamos por uma passarela de sal. Nesta hora já estavámos sentindo a fama de ponto mais quente dos Estados Unidos e dando graças a Deus pelo ar condicionado do carro! Isso porque no dia anterior precisamos de tirar neve do capô do carro.

Badwater Basin

Seguimos para o Devil's Golf Course (Campo de Golf do Diabo), que possui interessantes formações de sal. Tem um pedacinho de estrada de terra pra chegar até o ponto, mas é bem tranquilo, não precisa de 4x4. É uma imensidão, ficamos pequenos na paisagem.

Devil's Golf Course

Depois pegamos a Artists Drive, que passa pelas belas montanhas coloridas do parque, a Artists Pallete. É uma estradinha estreita, de apenas um sentido, mas tranquila também. Cuidado: logo após as placas Dip vêm uma montanha russa! :)

Artists Pallete

Depois da Artists Pallete demos uma paradinha na trilha do Golden Canyon, que é bem bonita, mas não fomos até o final porque já estava ficando escuro e ainda tínhamos duas atrações pra conhecer: o Zabriskie Point e a Dante's View.

O Zabriskie Point também tem montanhas coloridas impressionantes. Olha o tamanhinho do turista lá no meio das montanhas.

Zabriskie Point

Infelizmente chegamos tarde para a vista mais incrível do parque: Dante's view. É uma subida estreitinha e complicada, mas vale muito a pena.

Dantes View

Pra quem puder dormir no parque, um dos programas noturnos é olhar para o céu. O Death Valley é um dos melhores lugares para ver as estrelas, pois é longe de qualquer iluminação de cidades.

Saímos do parque maravilhados. O Death Valley foi um dos parque que mais gostamos nesta viagem, talvez porque não estivéssemos esperando muito... Que graça que tem em ficar vendo deserto? Muita. A beleza do parque está na grandiosidade: são vales e montanhas imensas, impressionantes. As fotos não conseguem captar a beleza das paisagens.

Quer mais dicas? Passe também lá no Tô pensando em viajar. A Alessandra dormiu no parque, e conseguiu ver um lindo nascer do sol. Coisa que você só vai ver por lá, porque por aqui ninguém gosta de acordar cedo! :)

Esta foi nossa última parada na Califórnia, este pedaço incrível dos Estados Unidos, onde você tem cidade grande, cidade histórica, praia, neve, vinho e deserto! Um dia eu volto, quem sabe.



Neve no Yosemite National Park


FICHA TÉCNICA       
Período: chegada dia 31/3/2014 a noite, saída dia 2/4/2014
Hotel Primeiro Dia: Yosemite View Lodge
Hotel Segundo Dia: Days Inn Yosemite Sierra Inn
Transporte até o hotel: Carro alugado
Distância: 319km desde San Francisco
Transporte do hotel ao parque: Ônibus Yarts

O Yosemite National Park é um dos parques mais visitados dos Estados Unidos. Fica a umas 5 horas de carro de San Francisco, e suas imensas montanhas de granito levam milhões de visitantes para lá todos os anos.

Já que o nosso planejamento saiu bem diferente da realidade, vou dividir o post em dois: planejamento e a visita propriamente dita.

Planejamento

Como contei no post sobre a primeira parte do nosso roteiro na Califórnia, estávamos com receio que a neve no Yosemite atrapalhasse nossos planos, e por isso começamos o roteiro por Los Angeles. Apesar de termos ido na primavera, ainda há chances de neve nesta época do ano, o que pode atrapalhar a visita.

Pelo motivo de parte do parque ficar fechado até meados de abril por causa da neve, como a Tioga Road e a Glacier Point Road, achamos que um dia inteiro seria suficiente para passearmos pelo Yosemite Valley (Yosemite Falls, no mapa abaixo) e ver as sequóias do Mariposa Grove, fazendo apenas trilhas curtas. A ideia era sair de São Francisco e dormir no Yosemite, passear o dia todo e dormir fora do parque, pra economizar, pois já seguiríamos viagem para o Death Valley.

Mapa do Yosemite. Fonte: http://www.inetours.com/Yosemite/Yosemite_Map.html

Decidimos nos hospedar fora do parque, pois dentro as opções ou são hotéis chiques ou campings. Para não perder muito tempo com deslocamento, nos hospedamos no Yosemite View Lodge, na vila de El Portal, pertinho da entrada do parque. O hotel é super no meio do nada, mas tem tudo o que você precisa em um mini mercado (sem preços abusivos), um restaurante, uma pizzaria. Não conhecemos o restaurante porque todos os quartos têm uma mini cozinha toda equipada, então passamos num supermercado na vinda e fizemos as refeições no quarto mesmo.

O hotel é bem grande, com vários prédios, e tem aquela cara de motel americano que a porta do quarto dá direto pra rua. O quarto é bem espaçoso, com aquecimento, e o banheiro é imenso (até meio frio por causa disso). O café da manhã é pago a parte, e a internet também (10 dólares por 24 horas). Neste caso nem fiquei muito indignada com a sobretaxa do wifi, porque a conexão num lugar tão remoto deve ser bem cara.

 

Ficamos no Yosemite View Lodge apenas na noite prévia à da visita ao parque. Como não sabia se íamos querer dormir perto do parque novamente ou tentar adiantar a viagem pro Death Valley e dormir mais pra frente, não reservei o hotel da segunda noite.

Visita

Nos atrasamos na saída de São Francisco e chegamos ao Yosemite no final da tarde pela Highway 120. E o que queríamos evitar, aconteceu: neve! Nunca havíamos dirigido com neve (na Patagônia foi só um pouquinho), e eu tava lá morrendo de medo e o Gui achando a aventura o máximo.

 
A entrada do Yosemite pela Highway 120, e a neve na estrada. 

Passamos por dentro do parque para chegar a El Portal (tivemos que pagar a taxa de 20 dólares por carro), mas não vimos nada por causa do tempo fechado. A paisagem do ímã lá do começo do post vai ter que ficar para uma próxima visita :(

Acordamos no dia seguinte e olhamos pra montanha: tudo branquinho depois da nevasca da madrugada. Ficamos preocupados se daria pra fazer o roteiro de carro que havíamos planejado por não termos correntes para os pneus. Como o site de estradas da California (Caltrans) não tem informações do parque, pedimos pra moça do hotel ligar lá, e ela disse que precisaríamos das correntes para ir até o Yosemite Valley. Mesmo que não esteja nevando naquele momento, se houver previsão de neve o policial pode exigir que você tenha as correntes dentro do carro, e te dar uma multa se não tiver. Por isso achamos melhor pegar o ônibus da Yarts que passava em frente ao hotel (14 dólares ida e volta), e deixamos o carro lá com as bagagens no porta malas.

Chegando ao centro de visitantes, a frustração do roteiro não realizado passou na hora. As paisagens estavam deslumbrantes! Foi a primeira vez que vimos neve fofa, então a primeira atividade foi uma guerrinha de bolas de neve e montar um boneco! :)

O ponto de ônibus do Centro de Visitantes com neve. Lindo!

E logo na chegada demos de cara com uma das atrações do parque: os animais! Os veados são bem mansinhos e sempre andam em bando, mas não pode dar comida nem chegar perto. Os esquilos também são fáceis de encontrar.

Os ursos são comuns no parque, mas não vimos nenhum. Eles foram um dos motivos por eu ter descartado dormir no camping. Imagina acordar a noite pra ir ao banheiro e dar de cara com um urso?

Os animais do Yosemite

Mas não precisa ter medo de fazer as trilhas. Com a movimentação das pessoas, os ursos não aparecem nas áreas com muitos turistas, a não ser que você resolva fazer um piquenique fora das áreas autorizadas (#semnoção). No mapa do parque tem as dicas do que fazer se houver um encontro inesperado.

Nossa primeira parada foi o vale, todo branquinho.

Yosemite Valley branquinho

Aproveitando que não estava nevando, fomos fazer a trilha das Yosemite Falls, pertinho do Centro de Visitantes. É bem, curtinha, acessível pra cadeirantes, e linda! Clique nas fotos para ampliar.

 
A linda trilha Yosemite Falls

Nesta época pudemos apreciar o fenômeno do frazil ice, que se forma quando a névoa (por exemplo, de uma cachoeira) congela, então o rio fica parecendo que tem pedrinhas de gelo como um copo de refrigerante.

A trilha leva até o pé da Lower Fall. Em alguns pontos da trilha podemos ver tanto a Upper quanto a Lower Fall. Incrível!

 
O rio e o fenômeno do frazil ice; a Lower Fall de pertinho; a vista da Lower e da Upper Falls.

Depois da trilha voltou a nevar, então entramos no ônibus grátis que circula pelo Yosemite Valley e ficamos olhando pela janelinha (veja o roteiro do ônibus aqui). Ele passa a cada 10 minutos e os motoristas são super simpáticos, explicando o que você verá a cada parada.

No inverno o tempo de espera é de 20 minutos.

 
O ônibus grátis que circula pelo parque, e suas paradas com cara de casa do Zé Colmeia.

Os brasileiros aqui ficaram com medo da neve, mas da janela do ônibus vimos gente com carrinho de bebê do lado de fora! Ô coragem.

O tempo melhorou e descemos no ponto do Mirror Lake, onde pudemos ver o famoso Half Dome entre as nuvens. No caminho da trilha pudemos apreciar a beleza das árvores gigantes (clique na foto e olhe o meu tamaninho perto de uma delas!)

 
Half Dome; Mirror Lake, eu perto de uma das árvores gigantes.

Com o tempo aberto voltamos para o Vale, para apreciar novamente suas montanhas. Reparem a diferença da foto que botei acima! A neve derrete durante o dia e a paisagem muda.

Yosemite Valley

A última parada foi para ver a cachoeira Véu de Noiva (Bridalveil Fall). Infelizmente não fizemos a trilha até lá pois perderíamos o último horário do ônibus.

Bridalveil Fall vista do pátio do Yosemite Lodge

De volta ao hotel, decidimos seguir viagem e dormir em Oakhurst, pertinho da entrada do parque que leva às sequóias de Mariposa Grove. A ideia era acordar cedo no outro dia, ver as sequóias e seguir para o Death Valley.

Como a estrada até Mariposa Grove por dentro do parque ainda não estava liberada para carros sem correntes nos pneus, fizemos o caminho de 90 km passando pela cidade de Mariposa. Paramos no Burguer King de lá, fizemos um lanche e usamos o Wifi para reservar o hotel daquela noite, o Days Inn Yosemite Sierra Inn. Confortável, quentinho, limpo, com microondas no quarto e café da manhã incluído. O único porém é que não tem elevador, mas para cadeirantes há quartos no térreo.

 

Acordamos no outro dia de manhã, olhamos pela janela e... tava tudo branquinho, lindo! O Gui saiu tirando foto igual um louco. Tivemos a inédita experiência de ter que tirar neve de cima do carro. :D

 
Oakhurst toda branquinha; o nosso hotel e o carro cobertos de neve

E nosso planejamento falhou de novo: por causa da neve da noite, a estrada até o Yosemite continuava fechada para carros sem correntes nos pneus, de acordo com o site Caltrans. Esperamos um pouquinho no hotel e, como tinha parado de nevar e as máquinas já tinham tirado a neve das ruas, achamos que estaria seguro e seguimos sem as correntes para o parque, na esperança do Caltrans estar desatualizado.

O problema é que a estrada passa por dentro da Sierra National Forest, e a neve das árvores vai derretendo e cai na pista, deixando a estrada perigosa mesmo depois da passagem do caminhão de limpeza. A estrada estava cheia de placas avisando que as correntes eram necessárias, mas fomos seguindo devagarinho... até darmos de cara com uma barreira policial que não deixava ninguém passar sem correntes. E não é só a gente que tava sem: mesmo quem tem morre de preguiça de colocar porque dá o maior trabalho, por isso as barreiras.

O policial podia ter nos dado uma multa, mas nos liberou pra voltar pra cidade e comprar as correntes. Encontramos para o tamanho do pneu do nosso carro por 65 dólares. Além de ser caro, se você não colocar direito ela pode danificar o pneu e até a lataria se soltar, então resolvemos não arriscar.

 
Placas dizendo que as correntes são necessárias; barreira policial obrigando todos os carros a colocar as correntes.

Como não há ônibus de Oakhurst até o parque, ficamos sem ver as sequóias :(

É, vamos ter que planejar outra viagem pra lá sem neve.

Dicas Finais

Se ficamos tristes por termos pegado neve no Yosemite? De jeito nenhum! O parque é MUITO bonito, e vê-lo coberto de neve foi demais. Vale a pena visitá-lo nesta época com certeza. Mas você tem que estar preparado para mudar seus planos por causa do tempo, como tivemos que fazer. A tática de não reservar o hotel do segundo dia foi acertada: apesar de não termos conseguido ver as sequóias, conseguimos adiantar a longa viagem até o Death Valley.

Se você quiser ficar dentro do parque ou nas vilas próximas, reserve, pois os hoteis ficam cheios. Os hoteis dentro do parque têm que ser reservados com meses de antecedência.

Para comer há opções de restaurantes e lanchonetes no vale. Nosso almoço foi um cachorro quente na Degnan's Deli.

Criança feliz congelando a mão com a bola de neve
Roupas: o Gui e eu seguimos a história das camadas. Meu modelito foi:
- Corpo: segunda pele high tech da Uniqlo (falei dela aqui) + uma blusa de lã fina + casaco que comprei na Spider no outlet de Camarillo, um corta vento com capuz e um miolo mais quente, que você pode tirar se precisar. Foi a salvação, senão ia congelar!
- Pernas: legging de inverno por baixo da calça jeans.
- Pés: uma meia normal, uma de lã e minha bota de trekking da Bull Terrier, a mesma do Big Ice da Patagônia. A bota tava descolando (no Death Valley ela descolou de vez) e impermeabilização não funciona mais, aí o interior da bota umedeceu um pouco e passei frio! :(
- Acessórios: cachecol de lã da Uniqlo, meu gorro fashion (sério, um monte de gente já veio falar comigo por causa dele!) e uma bolsa a tiracolo com a câmera e os lanchinhos. Esquecemos as luvas, fizeram falta.

O Gui é menos friorento e usou só uma calça e uma camiseta por baixo do casaco, que é do mesmo estilo do meu.

Outros blogs que nos ajudaram (obrigada!) e onde você pode pegar mais dicas sobre a visita ao Yosemite:
- A visita no inverno, no Tô pensando em viajar;
- O completíssimo guia no Mauoscar, sem neve;
- As dicas de hospedagem e comida do Sete Malas;
- Dois tópicos nos fóruns de discussão do Trip Advisor sobre visitar o Yosemite no início de abril (aqui e aqui)

Última dica: se pronuncia "Yosêmite", não "Yosemaite". :)


Veja nosso roteiro completo de 20 dias de carro nos Estados Unidos!


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